Geral

Só no velho mundo

(*)Vera Lúcia Andrade
| Tempo de leitura: 3 min

Quem tem boca (e coragem) - vai a Roma e Paris sozinha. E gosta !Bravo! A simples palavra resume o espírito da Itália. Sinônimo de dizer legal, jóia, bacana, enfim, gírias criadas ou plagiadas para definir o que é bom e certo aqui no Brasil, bravo (legal) e prego (de nada), no bom italiano, se contrapõem ao educado merci (obrigado) e ao parcimônioso pardon (com licença), do povo francês.De Roma a Paris, a palavra educação, porém, é uma só quando andamos pelas ruas ou trafegamos nos autobus, onde não há cobradores e você é a própria consciência da cidadania. Sem lenço, com documento e sem depender de pacotes de todos os tipos, escolhi o melhor tempo e parti para uma bem melhor. Conhecer um pouco da Europa foi a minha saída estratégica para experimentar o gostinho de sozinha presenciar o velho mundo e festejar mais um ano de vida do alto do Arco do Triunfo e, quem sabe, da majestosa torre, um sonho meu de adolescente. E no último dia de setembro, as brumas de Paris gentilmente me brindaram com um pôr do sol de céu claro e azul, talvez presente de Deus depois da peregrinação nas igrejas que integram o circuito no ano do Jubileu em Roma (Basílica de São Pedro, Catedral de São Paulo, Catedral São Giovanni e Santa Maria Maggiore). Mais: na gloriosa Igreja de São Pietro de Víncoli, que fica pertinho do Coliseu, comprovei a veracidade das palavras do escultor da estátua de Moisés, aquela mesma que Michelângelo, em agonia e êxtase, ao findar a obra exclamou a famosa Parla!Passear pelo centro da cidade eterna é viajar na história. Aqui e ali você encontra uma coluna, uma parede, um rastro da Roma antiga. Fórum Romano, Palatino, Circo Máximo e demais atrações das colinas que circundam a cidade extasiam com o Tevere, o rio Tibre à sua volta. Destaques que continuam ganhando notoriedade no cinema incluem a fontana de Trevi, Piazzas DSpagna, Navona e Trastevere. Há também o romantismo implícito no caminho ecológico alternativo que leva ao topo do Capitólio, criado por Michelângelo na Piazza Venezia, sem esquecer ainda alguns pontos estratégicos que formam as cenas mitológicas expressas no filme O Talentoso Mr. Ripley, todo gravado na Itália.Já no Vaticano, chegar até o mirante situado na cúpula da Basílica idealizada por Michelângelo é uma epopéia que inclui elevador até certo ponto e, depois, uma escalada por degraus sinuosos e paredes inclinadas. De cima você percebe a magnitude da cidade-símbolo do catolicismo romano, de onde parece emanar o poder divino. No interior da Basílica, onde está São Pedro, um coral de padres beneditinos à paisana lembra anjos em vibrações natalinas e detona sentimento ímpar durante a missa, rezada com magistral interpretação.Os museus e a Capela Sistina - com o famoso teto que você não consegue ver em detalhes, nem pode fotografar -, juntamente com as igrejas, em especial a Catedral de São Paulo, em Roma, formam a proteção necessária para mudar seguramente de rumo, em direção a Nápoles.Sangue de São GenaroO dia 21 de setembro comemora São Genaro, padroeiro da cidade. O sangue do santo, guardado na principal igreja de Nápoles, é motivo de curiosidade, porque já se fez líquido em várias ocasiões. Mais missa e festividades. A Itália é simplemente divina... e católica!De lá para as ruínas de Pompéia é um pulo. O Vesúvio é possível quando o tempo ajuda e você pode galgar até o seu topo, a partir das ruínas de Erculano. Em Pompéia, longas caminhadas revelam uma cidade inteira à mostra, com as marcas de um passado glorioso e um fim trágico. Da praia de Sperlonga (refúgio de Nero), no Lázio; de Nápoles a Pompéia; da ilha de Capri/Ana Capri à Costa Amalfitana, seguindo à Umbria (Foligno, Assis, Gúbbio e Perúgia), circulando pelos vinhedos e castelos da Toscana, descobrindo Siena, Luca e Pisa, ficando por mais tempo em Veneza, conclui-se que a Itália atrai pela simpatia do seu povo pelos brasileiros, perdidamente apaixonado pelo futebol de Ronaldo, Aldair e Vampeta....(*)especial para o Turismo

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