Geral

Aterrissagem suave

(*) Antonio Delfim Netto
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Muitas pessoas se preocupam com a possibilidade de que a economia americana entre em recessão. Faz sentido imaginar que uma queda do nível de atividade nos Estados Unidos afete o desempenho das demais economias, inclusive a brasileira. O que se discute é se haverá uma aterrissagem forçada (hard landing) e, mesmo, um crash ou se será uma queda suave.É muito pouco provável que aconteça uma queda brusca. É claro que os Estados Unidos estão reduzindo o seu ritmo de crescimento, após manter a extraordinária média de 4% a 5% de expansão do PIB nos últimos cinco anos. A evolução da produtividade garantiu esse grande crescimento, sem inflação. Mas ele precisava ser moderado, porque o déficit em conta corrente vem crescendo muito. A economia americana é aproximadamente onze vezes maior do que a brasileira. Quando ela cresce 4% significa que está crescendo meio Brasil a cada ano e é óbvio que uma alteração, mesmo pequena, nesse ritmo, influencia o comportamento das demais economias em todo o mundo.No caso brasileiro, é importante assinalar que a administração da economia vem melhorando substancialmente após a desvalorização cambial de janeiro de 1999. Os fatos recentes mostram que se reduziu o risco e aumentou a capacidade de resistência de nossa economia às crises externas. Mesmo com as dificuldades crescentes em nossa vizinhança, como acontece na Argentina, ou uma confusão mais distante como no caso da Turquia, não estamos sofrendo as dificuldades que nos atingiriam se tivéssemos continuado com o regime cambial anterior à desvalorização.A introdução do sistema de câmbio flutuante reduziu a nossa vulnerabilidade diante das perturbações externas. A forma como ele tem sido administrado restabeleceu a confiança na atuação do Banco Central. Seu presidente tem sido sucesso em transmitir ao mercado a segurança de que a flutuação do câmbio é fundamental para absorver os choques externos. Se o Banco Central se ocupasse a cada instante com as pequenas flutuações da taxa, logo perderíamos as vantagens que o câmbio flutuante oferece.Em resumo, tudo indica que a aterrissagem americana se dará de forma suave e que a administração de nossa economia proporciona, hoje, as condições de resistência bastante razoáveis para absorver os choques externos. Estará muito melhor se não descuidarmos do objetivo de aumentar as nossas exportações em 2001.(*) Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da USP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento -E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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