Geral

Desarmamento necessário

N. Serra
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Sem sofisma, pois não se precisa disso para se encontrar a verdade, salta aos olhos que se pode considerar altíssimo o índice de armamento da população civil no País. Segundo estimativa, fundada naturalmente no percentual de armas apreendidas pelos comandos policiais específicos, em cada grupo de seis pessoas uma possui arma de alguma espécie, com predominância em São Paulo e Rio de Janeiro, onde mais de seis milhões de paulistanos são tidos e havidos como portadores de instrumentos de defesa ou de ataque, conforme as circunstâncias...As autoridades vêem nessa circulação desenfreada de revólveres e sucedâneos o fator principal da somatória cada vez mais elevada dos crimes e contravenções atualmente cometidos naqueles grandes centros populacionais, e, por isso, estão entrando numa campanha contra o surto através de várias medidas, tendo como objetivo direto tornar mais rigorosa a legislação que disciplina o porte dos instrumentos. Porta-voz do Ministério da Justiça deu, em entrevista recente, algumas coordenadas do caminho em vista, indicando principalmente que o porte das armas, sem o devido registro policial, deixa de ser considerado simples contravenção, sujeito apenas a apreensão e multa, passando a ser colocado na classificação de crime, implicando então em penas maiores, inclusive prisão celular.A iniciativa é duplamente saneadora, à medida em que ensejará às autoridades policiais colocar as mãos em delinqüentes profissionais, aqueles que atualmente deitam e rolam pelas ruas e encruzilhadas, fuzilando qualquer tipo de transeunte, de qualquer idade, assaltando-os e dispersando balas perdidas, sem endereço definido, que atingem até mesmo crianças. Revólveres sem registro passam a permitir detenção e, uma vez nas delegacias, o infrator terá a sua vida pregressa devassada pelos computadores, possibilitando descobrir se se trata de um dos milhares de homicidas, assaltantes ou ladrões que se encontram em liberdade por todo o País. Há que se esperar muito, no entanto, da eficiência e do cuidado das autoridades quanto à perfeita identificação dos portadores de armas, a fim de que não venham a mandar in limine para o xadrez cidadãos honestos como os milhares que circulam nas cidades, armados sim, porém com a finalidade específica de se defender dos malfeitores postados em lugares ermos à sua espera. Há que se ter uma certa tolerância, até que todos tenham tempo de fazer o registro de seus instrumentos de defesa. Não se pode admitir de chofre que todos quantos portem revólver na via pública sejam bandidos e tenham de ser instalados imediatamente nas celas das cadeias sem maiores formalidades. É a nossa opinião! (O autor, N. Serra, é jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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