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Cenário econômico do Brasil é positivo, diz economista

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A economia brasileira está numa situação bem melhor do que esteve durante muitos anos. Essa é a afirmação do economista Luiz Alberto Machado, presidente estadual do Conselho Regional de Economia (Corecon), que esteve em Bauru participando de uma reunião de delegados do órgão. Para ele, a situação atual do cenário econômico brasileiro é muito mais positiva na comparação com o que aconteceu no País durante décadas. De acordo com Machado, os fundamentos macroeconômicos da atualidade são realmente sólidos e a economia brasileira tem plenas condições de resistir a crises externas, como a da Argentina e o caso dos aumentos constantes do preço do barril de petróleo no Oriente Médio. Antigamente, os problemas que aconteciam lá fora, como a atual crise da Argentina, afetavam o Brasil com muito mais rapidez e impacto. No cenário atual, a economia tem condições de resistir a isso. Não se pode dizer que ela resiste a qualquer coisa porque a economia mundial está interligada e, não só a economia brasileira como qualquer outra, sofre efeitos quando se tem um abalo muito grande que atinja um país de peso. É o caso do Oriente Médio, que é responsável pela produção de um bem estratégico como o petróleo, disse o economista. Para Machado, se a atual crise da Argentina tivesse ocorrido há alguns anos, teria causado um efeito sobre a economia brasileira muito maior do que os que vêm ocorrendo. Em relação à estabilidade da economia, o presidente estadual do Corecon citou como muito positivo o crescimento da economia em torno de 4% este ano. Porém, alertou para o fato de que não se pode haver ilusões em torno disso. Não podemos nos iludir. Obter estabilidade é pré-requisito indispensável para crescer, mas não é o objetivo último de política econômica. A estabilidade foi conquistada, mas precisa ser mantida. Não se pode desprezar essa conquista porque foi um êxito muito grande. Porém, agora é fundamental manter esse quadro, ressaltou o economista. Questionado sobre o custo social dessa estabilidade, Machado rebateu perguntando sobre qual seria o custo da instabilidade. Eu não sei para onde o Brasil caminharia mantendo aquela situação anterior, respondeu. Em relação à manutenção da estabilidade, o economista acredita que isso vai acontecer. A aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal foi citada por ele como um grande avanço que vai colaborar para o quadro de estabilidade no País. A sociedade está muito mais consciente, ativa, participante e exercendo sua cidadania. Isso tudo vai consolidando o cenário institucional no País e a estabilidade econômica se beneficia disso, disse Machado. Sobre o futuro, o economista ressaltou que não existe nenhum cenário cor-de-rosa e sem ameaças. O cenário cor-de-rosa não existe. Acho que a maior ameaça que o Brasil tem, no momento, ainda é a vulnerabilidade externa da economia. Digo isso porque, até mesmo o fracasso da nossa política de exportações, leva a uma vulnerabilidade maior dessa situação. Se tivéssemos retomado superávits sólidos na balança comercial, não dependeríamos tanto de poupança estrangeira para continuar financiando o nosso crescimento, avaliou Machado. Por outro lado, o fato de estar sendo investido capital estrangeiro de risco no Brasil significa que a confiança no País cresceu, na avaliação do economista. Machado esteve em Bauru participando de um encontro estadual das delegacias do Corecon. Ele irá presidir o conselho até o final de 2001. Na ocasião, ele elogiou o trabalho que o delegado do Corecon, Reinaldo Cafeo, está desenvolvendo em Bauru. A organização do conselho aqui na cidade está fantástica. Aliás, esse foi um dos motivos que nos levaram a marcar esse encontro em Bauru, disse o presidente estadual.

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