Quando atingir a marca dos 80 mil km é bom fazer um teste de emissão de poluentes para saber se o catalisador deve ser trocado. Mas cuidado com as peças falsas que, além de antiecológicas, prejudicam o funcionamento do seu carroDos 20 milhões de veículos que compõem a frota brasileira de veículos, 3 milhões possuem catalisadores falsificados, adulterados ou sem eficiência. Esse é o cálculo divulgado pela dmc2, Degussa, Metais Catalisadores Cerdec Ltda, fabricante de catalisadores automotivos Degussa que detem 70% de participação no mercado brasileiro. De acordo com o gerente de marketing da Degussa, Carlos Eduardo de Lucena Moreira, a empresa fornece catalisadores para toda a linha nacional da Volkswagen, para todos os Ford Fiestas fabricados a partir de 1997, para diversos veículos da GM, para o Mercedez Classe A, Renault Scènic e Novo Clio.O motorista brasileiro, com o falso argumento de que o catalisador, equipamento de pós-tratamento dos gases da exaustão dos veículos, rouba potência do motor, ou mesmo por falta de informação, retira a peça do automóvel e a substitui por uma falsificada e ineficiente que, ao invés de proporcionar melhor desempenho ao automóvel, acaba causando diversas falhas no motor e faz com que 100% dos gases poluentes emitidos pelo veículo sejam lançados na atmosfera, agravando o problema de poluição no País. O ar do Brasil recebe anualmente cerca de 3 milhões de toneladas de poluentes, sendo 90% deles originados por emissões de veículos automotores. De acordo com estudos realizados pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em dias de pico de contaminação atmosférica, a poluição pode aumentar em mais de 10% o risco de morte por doenças respiratórias, principalmente para bebês, crianças, idosos e pessoas que já sofrem de problemas respiratórios. Apesar da existência da Lei de Crimes Ambientais nº 9605, artigo nº 54, e Decreto Federal nº 3179 de 21 de setembro de 1999, artigos nº 46 e 48, que determinam que a falta, adulteração ou instalação irregular de componente controlador de poluição sujeita o proprietário do veículo e/ou estabelecimento responsável por este ato, à multa de R$ 500,00 a R$ 10 mil, a legislação vigente não contempla a fiscalização da existência e da eficiência dos catalisadores nos automóveis que circulam no País. Mesmo com o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve), cuja legislação ajuda a reduzir cerca de um milhão de toneladas de monóxido de carbono do ar por ano, ainda roda no Brasil uma frota significativa sem catalisador, anterior ao início do Proconve, em 1989.Colaborando com a poluição, muitos proprietários, com o falso argumento de que o catalisador diminui a potência do motor, simplesmente removem a peça do veículo. Outros, devido à má informação sobre a importância do equipamento, na hora de sua manutenção ou troca acabam adquirindo uma peça recondicionada ou falsificada. Devido à existência de muitos catalisadores falsificados no mercado, portanto mais baratos, muitos consumidores são enganados na hora da troca da peça, afirma o diretor da divisão catalisadores da dmc2, Roberto Pereira. PoluentesCom o crescimento anual da frota de veículos e a inexistência de um programa de inspeção veicular, segundo dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambienta (Cetesb), os níveis de gases poluentes estão voltando a ficar críticos. Um dos principais poluentes é o monóxido de carbono, que tem emissão de 1,9 milhão de toneladas por ano. Suas principais fontes são os veículos a gasolina (49%), a diesel (28%) e a álcool (17%). Grandes concentrações desse poluente prejudicam a oxigenação do organismo, causando diminuição dos reflexos e da percepção visual. Os outros poluentes mais importantes são os hidrocarbonetos (430 mil toneladas/ano), óxido de nitrogênio (450 mil toneladas), óxido de enxofre (130 mil toneladas) e material particulado (núcleo de carbono no qual se aderem várias substâncias tóxicas). O ozônio, um poluente secundário formado na atmosfera a partir de reações fotoquímicas com os hidrocarbonetos e óxido de hidrogênio, também é um irritante dos olhos e sistema respiratório, causando agravamento de asma, bronquite, doenças cardíacas e náuseas, além de atacar materiais como borracha, pintura etc. Atualmente, este é o poluente cuja concentração na atmosfera tem ultrapassado o padrão de qualidade do ar.Carro sem catalisador sofre prejuízosA dmc2 calcula que, hoje, 70% dos catalisadores com necessidade de troca são substituídos no mercado de reposição por peças falsificadas ou simplesmente abafadores. Segundo informações da dmc2, desde 1992 os veículos fabricados no Brasil já saíam com catalisador. Considerando, deste modo, as informações sobre a frota circulante no País de 20 milhões de veículos, menos de 100 mil veículos fizeram a troca pelo produto original. Assim, grande parte da frota, cerca de 3 milhões de veículos, circula com catalisadores falsos ou, em muitos casos, somente com as carcaças vazias. Os proprietários dos veículos tiram a cerâmica interna do catalisador, não pensando nos riscos dessa ação. Isto acontece porque o motorista acredita que a retirada da peça irá trazer melhor desempenho ao seu veículo e acaba substituindo o catalisador por um produto similar na aparência, mas sem nenhuma eficiência. Na prática, os falsificadores compram dos postos de escapamento e oficinas os conversores catalíticos usados retirados de carros de clientes, pagando R$ 10,00 a R$ 15,00 por peça. De posse desses dos catalizadores usados, os mecânicos retiram toda a cerâmica interna, peça que contém metais nobres, cuja função é de, através de reações químicas, transformar os gases poluentes em inofensivos. Com a carcaça vazia, introduzem palha de aço no interior da peça metálica ou colocam um pedaço de tubo metálico de escapamento, para que a carcaça tenha peso, consistência e volume semelhante à peça original. As extremidades desse tubo metálico são soldadas no corpo da carcaça metálica da peça. Está pronto o falso catalisador. Esse produto é vendido nas lojas de escapamento e oficinas por preços que variam de R$ 50,00 a R$ 70,00.A retirada do catalisador, além de piorar a poluição, contraria a opinião daqueles que acham que ele rouba potência do motor. Por serem projetados em conjunto, a ausência do catalisador afeta a calibração do motor, desregula o sistema de injeção eletrônica, ocasiona diversas falhas, altera a contrapressão do sistema de escapamento, provoca ruído, aumenta o consumo de combustível e, neste caso sim, há perda do rendimento do motor.Segundo o engenheiro Fernando de Camargo da divisão catalisadores da dmc2, veículos com injeção eletrônica de combustível, quando são submetidos à retirada do catalisador, podem ter seu consumo de combustível aumentados em um a dois km por litro. Isso significa que, no período de um mês, o veículo consome 20% a mais de combustível do que o normal. Considerando que o proprietário, em média, gaste R$ 500,00 por mês de combustível, ele estaria aumentando seu custo mensal em R$ 100,00. Mas se o proprietário trocar o catalisador, em três meses, com a economia de combustível, ele paga o custo da peça. O que causa danos ao catalisadorO catalisador é um componente projetado para ter o mesmo tempo de vida útil que o veículo. Segundo o gerente de engenharia do produto da divisão catalisadores da dmc2, Stephan Blumrich, o conversor catalítico pode ter sua carcaça danificada por impactos, afetando o funcionamento do catalisador ou, em situações extremas de má conservação do veículo, comprometer a durabilidade da conversão de gases, regulamentada em 80 mil km, e perder a garantia de fábrica. As situações decorrentes da má conservação do veículo mais comuns são:Falhas de ignição - velas de ignição e cabo de velas desgastados ou tampas de distribuidor rachadas propiciam falhas na combustão. O combustível não queimado entra em combustão dentro do catalisador, destruindo-o.Excesso de óleo lubrificante - vazamentos de óleo por retentores de válvulas ou anéis quebrados também podem gerar entupimento da peça.Combustíveis adulterados ou aditivados com produtos à base de chumbo - podem destruir as camadas de metais nobres no interior do catalisador.Motor com problemas elétricos - a prática de fazer o veículo pegar no tranco faz com que o combustível não queimado no motor atinja o catalisador quando aquecido, destruindo-oComo aumentar a vida útil do catalisadorPrincipais itens a serem revisados-Velas e cabos de velas (faísca)-Bobina de ignição (carga elétrica)-Ponto de ignição (marcha lenta)-Sensor de temperatura do motor (óleo)-Sensor de oxigênio (sonda lambda)-Bico(s) Injetor(es) (injeção eletrônica)-Regulagem do carburador (carburador simples, duplo e eletrônico)-Bóia e agulha do carburador-Contrapressão do motor-Válvula do canisterCuidados essenciais ao substituir o catalisadorFalhas ou desgastes nos componentes dos sistemas de ignição e injeção de combustível podem elevar a temperatura no sistema de exaustão de 400ºC para aproximadamente 700ºC. Ao trabalhar sob este regime, o catalisador estará correndo um sério risco de danificação por derretimento ou queima. Por este motivo, ao substituir o catalisador, certifique-se de que o motor esteja em plenas condições de funcionamento, sob pena de comprometer o novo catalisador.Faça sempre uma análise das emissões de gases do veículo. Somente o resultado dessa análise poderá indicar se há necessidade de trocar o catalisador, evitando a troca desnecessária da peça.
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