Cientistas pesquisam uma maneira de reverter a situação da paralisia em todos os casos. O principal estudo é em relação a regeneração dos neurôniosSempre houve grande descrença quanto a possibilidade de uma terapia capaz de reverter as paralisias provocadas por lesão da medula e tal fato deve-se a grande complexidade dos fatores envolvidos nesse problema. Importantes descobertas têm sido feitas e uma delas, sem dúvida, é a elucidação do motivo que impede as células nervosas (neurônios) presentes no Sistema Nervoso Central (SNC), que é o cérebro mais a medula, de se regenerarem após uma lesão. Ao contrário dos neurônios espalhados pelas demais partes do corpo e capazes de regenerar, as mesmas células quando no SNC, não tem essa capacidade, o que torna irreversíveis as lesões no cérebro e medula.E o motivo dessa incapacidade é a presença, nos neurônios do SNC, de uma proteína inibidora do crescimento dos neurônios. A partir desse conhecimento, desenvolveu-se um anticorpo de modo a neutralizar a ação dessa proteína na medula e possibilitar a regeneração dos neurônios lesados.Ao mesmo tempo outros estudos foram e continuam sendo realizados, notadamente no que diz respeito a descoberta e avaliação de algumas substâncias chamadas de fatores de crescimento de neurônios, ou seja, substâncias capazes de estimular o crescimento das células nervosas. Em relação às paralisias provocadas por lesão medular, é importante ressaltar que a lesão física na medula pode se apresentar de várias formas, de acordo com a causa da lesão. Em alguns casos pode haver a formação de uma cicatriz no local lesionado, já em outras situações ocorre apenas uma desmielinialização das fibras nervosas, ou seja, causas diferentes que terão o mesmo efeito, que é a perda da capacidade da medula em conduzir os estímulos nervosos através da região lesionada e por fim, a paralisia. Causas diferentes que exigirão abordagens terapêuticas diferentes.Há 21 anos fiquei tetraplégicoFrancisco Takao Kajino, 42 anos, artista plástico e presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (Comude), ficou tetraplégico aos 21 anos praticando judô. Atualmente, ele, apesar de contar com a ajuda de seus pais para muita coisa, se locomove para todos os lados e afirma: o que eu quero, eu faço, e onde quero ir, vou.Tudo na sua vida foi se transformando e se adaptando de acordo com sua deficiência, mas ele se mostra uma pessoa forte e batalhadora. Em casa, um computador com comando de voz facilita seu trabalho e, para sair, usufrui de uma Kombe adaptada para seu transporte. Os pais estão sempre por perto auxiliando em tudo o que é necessário.Kajino superou um trauma que, muitas vezes, parece impossível de ser superado. Ele é alegre e cheio de vida. O pintor disse que não se lembra de ter sofrido preconceitos, mas convive com pessoas que relatam isso no dia-a-dia.Para ele, há muito o que se fazer ainda pelos deficientes, mas aos poucos, eles vão ganhando o espaço que merecem.Em Bauru, há uma lei que exige mudanças que favorecem os deficientes. Kajino disse que, muito vagarosamente, a lei vem sendo cumprida. Nós sabemos que a Prefeitura Municipal não tem muita verba, mas devagar nós vamos conseguindo ganhar algumas coisas, disse.Kajino disse que o atendimento médico público é defasado para os deficientes e não concede equipamentos que são utilizados por essas pessoas, mas quando compara Bauru a outras cidades da região, diz que há um privilégio.Ele contou que há apenas três ônibus com elevadores para deficientes, um de cada empresa existente em Bauru. Isso é pouco, mas foi uma falha da lei que quando especifica que as empresas devem disponibilizar ônibus para esse fim, foi redigida no singular, disse.Kajino alerta as pessoas que é preciso estar informado para saber tratar bem um deficiente. A falta de informação e a ignorância, de acordo com ele, são os principais motivos do preconceito.
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