Michel Temer disse que não recusa disputar governo de SP. Ele afirmou que vai trabalhar para a sede da CEF vir para BauruO presidente da Câmara dos Deputados, deputado Michel Temer (PMDB), esteve em Bauru ontem pela manhã para se reunir com prefeitos e líderes políticos da região com o principal objetivo de trocar impressões políticas, segundo suas próprias palavras. O deputado tem visitado várias cidades do Interior do Estado porque é um dos nomes mais fortes do seu partido para disputar o governo de São Paulo, Não vou recusar essa tarefa se ela me for oferecida, disse. Antes da reunião, que foi realizada no Obeid Plaza, Temer deu sua opinião ao Jornal da Cidade sobre temas polêmicos, como o salário mínino, o projeto de quebra de sigilo financeiro e até o bate-boca entre os senadores Jáder Barbalho e Antônio Carlos Magalhães. Ele recebeu do prefeito Nilson Costa ofícios da Prefeitua pedindo sua intercessão para que Bauru não perca a Central de Negócios da Caixa Econômica Federal e, por outro lado, possa obter o prédio da Rede Ferroviária Federal.Jornal da Cidade - O senhor já é pré-candidato ao Governo do Estado de São Paulo? Michel Temer - Eu estou, na verdade, sendo homenageado por todo o estado de São Paulo. Estive em Marília, Presidente Prudente, Araçatuba, Santo André e a idéia dessas reuniões, organizadas por colegas deputados, é exaltar a idéia de que um paulista ocupou a presidência da Câmara por quatro anos. É inevitável que se questione sobre uma possível candidatura. Eu digo que não vou me recusar a essa tarefa. Acho que saindo em fevereiro na presidência da Câmara eu posso começar uma corrida pelo Estado para uma eventual candidatura a governador. É claro que eu preciso, primeiro, do meu partido e acho que há condições para disputar o governo. Não recuso a tarefa.JC - Quem o senhor acha que seriam seus oponentes?Temer - Eu não saberia dizer ainda. Falam-se em dois ou três nomes em cada partido. Eu não saberia dizer um adversário.JC - O deputado Carlos Braga esteve em Brasília e conversou com o senhor sobre a sede da RFFSA ser cedida ao Município. Como fica essa questão? Temer - Ele esteve comigo e nós conversamos. Estou encaminhando o pleito para o Ministério dos Transportes. Estou falando para o ministro Padilha (Eliseu) para verificar de que maneira esse pleito pode ser atendido. Não é uma coisa fácil. O próprio Carlos Braga sabe e me disse isso, mas nós estamos trabalhando em cima dessa matéria. JC - E quanto à sede regional da Caixa Econômica Federal, que seria instalada em Bauru mas está a caminho de Campinas? Temer - O deputado também me falou sobre isso e também posso ajudar. É evidente que eu não tenho a caneta na mão. Sou chefe do poder Legislativo, mas posso ajudar nessa matéria encaminhando e apoiando os pleitos, como tenho feito.JC - O senhor acha que a possibilidade de a sede da Caixa ficar em Bauru é boa? Temer - Eu acho que sim. Vamos trabalhar para isso. É claro que muitas vezes você tenta apoiar politicamente e há razões administrativas que impedem a tomada de certas decisões, mas nosso apoio e o apoio de outros companheiros podem ajudar em uma revisão administrativa. JC - A que ponto a Câmara está empenhada em aprovar o mínimo de R$ 180,00?Temer - Pela primeira vez a Câmara dos Deputados e o Congresso Nacional como um todo, começaram a discutir essa matéria em novembro, no começo do mês. Foram aprovados projetos que facilitam o mínimo de R$ 180,00. Este foi um trabalho da Câmara, que trabalhou intensamente nessa questão e agora vai haver a previsão de R$ 180, 00 para o salário mínino no orçamento. Foi um trabalho muito eficiente da Câmara dos Deputados, penso eu, em conjunto com o Governo. JC - O projeto sobre a quebra de sigilo bancário está causando polêmica porque seria inconstitucional. O que o senhor pensa sobre isso? Temer - Eu já havia declarado há muito tempo a minha preocupação sobre a constitucionalidade de um projeto de lei que permitisse a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Toda e qualquer quebra do sigilo bancário sem autorização judicial, a meu ver, é inconstitucional. E o que os partidos acabaram fazendo? Aprovaram um projeto que permite a quebra do sigilo com autorização constitucional e se essa autorização não vier no prazo de 72 horas, tanto do juiz singular como do tribunal, considera-se quebrado o sigilo. É evidente que essa matéria dará disputa no Supremo, porque estará havendo a quebra no sigilo sem prévia autorização, assim como o cruzamento de dados da CPMF com a declaração do imposto de renda sem a autorização judicial. Isso, não há dúvida, de que irá gerar ações no Supremo Tribunal Federal. JC - O juiz foragido Nicolau dos Santos Neto foi preso na noite de sexta-feira. O que o senhor achou da prisão? Temer - Foi uma vitória, embora tardia, da Polícia Federal, que conseguiu prendê-lo. Agora, ele vai responder perante o Judiciário. Com isso termina a novela, digamos, de uma eventual incompetência pela não prisão do juiz e passa-se para uma outra fase que é a apuração dos eventuais delitos praticados, onde ele, naturalmente, terá direito À defesa, e a solução desse problema, Foi um bom passo para a sociedade brasileira.JC - Houve muita polêmica por causa da negociação que culminou com a prisão. Qual a opinião do senhor sobre isso?Temer - Eu não tenho notícias sobre a negociação. O que eu sei é que houve um contato para que ele se entregasse, agora não tenho notícia que houve uma facilitação a ele, tendo em vista a sua entrega. Ele se entregou e eu não sei de nenhuma regalia que tenha sido concedida a ele por isso.JC - A disputa no Senado entre o senador Jáder Barbalho e presidente da casa, Antônio Carlos Magalhães chegou ao Conselho de Ética do Senado. Como o senhor vê essa disputa? Temer - Não é uma coisa boa. É uma coisa que choca a todos nós, pois usa um linguajar inadequado para o Congresso Nacional. Nós estamos e eu estou trabalhando muito para a pacificação desse ambiente que passou do plano político para o plano pessoal e sempre que isso acontece fica difícil uma solução. Mas eu estou trabalhando para uma pacificação, há muita gente trabalhando para isso até a data da eleição isso estará solucionado.
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