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Eleição na Câmara já desenha contornos

Redação
| Tempo de leitura: 5 min

Disputa pode ficar entre Valle (PDT) e um vereador indicado pelo prefeito, mas nas articulações alguns nomes vão e vêmQuem será o presidente da Câmara na era Nilson Costa? A eleição marcada para o dia 1 de janeiro do próximo ano já apresenta seus principais contornos políticos. Como é tradicional na disputa pela Mesa da Câmara em Bauru, o candidato a ter a maioria dos votos a presidente geralmente é definido na véspera da votação, algumas vezes nos minutos que antecedem a sessão. Outro fato que não está sendo diferente desta vez é o surgimento de camaleões na disputa, que aparecem como candidatos e, ao mesmo tempo, demonstram apenas interesse em cacifar os próprios nomes.Os candidatos-camaleões são definidos pelo próprio histórico da eleição pela Mesa da Câmara: deixam a especulação à solta em torno da disputa e ainda apresentam capacidade de mutação de acordo com a circunstância. Ou seja, o camaleão diz que é candidato para um membro do grupo de oposição, não confirma seu interesse para o candidato governista e nem toca no assunto com a imprensa. A situação, entretanto, não é para ser compreendida com estranheza, faz parte do jogo político legislativo.Para os mais experientes agentes políticos da cidade, o presidente da Câmara a ser escolhido será aquele que o chefe o Executivo desejar. A premissa tem sido verdadeira na história da eleição do Legislativo bauruense. Apesar da proclamada independência dos poderes, o prefeito municipal sempre deu as cartas definitivas para o processo. Desta vez, não é diferente. O candidato preferido de Nilson Costa (PPS) tem muito mais chances de vencer a eleição da Mesa Diretora da Câmara. A vitória só fica com outro candidato se o prefeito não interferir politicamente no processo político do Poder Legislativo. Assim, apesar do chamado recesso político, o prefeito Nilson Costa (PPS) já tem atuado, mesmo que indiretamente, no processo eleitoral da Câmara. O Executivo só não verá eleito um candidato simpático à sua gestão se titubear. O candidato mais forte ao cargo, fora do espectro partidário do prefeito, é Luiz Carlos Valle (PDT). O ex-presidente da Câmara já está em campanha desde outubro. Os nilsistas não parecem incomodados com isso e apostam na definição da eleição a partir de agora.O Executivo não declarou publicamente qual é seu candidato, ou o preferido para a disputa. A situação tem dado margem a muita especulação, ajudando a fomentar os candidatos camaleões. Apesar do silêncio oficial do prefeito, nos bastidores representantes do PPS acreditam que Walter Costa tem maiores chances de vencer a eleição. O vereador eleito não confirma nem desmente sua candidatura. Para tentar em vão despistar, Walter Costa tem dito: sou um soldado do partido.Os camaleões estão surgindo na sombra do pseudo-silêncio do Executivo sobre o assunto. José Humberto Santana (PDT), vereador eleito, teria sido aconselhado a discutir com os colegas um acordo que envolveria o apoio a Edmundo Albuquerque (PSDB) para presidente. Edmundo teria o apoio do time do prefeito somente para o biênio 2003-2004. A especulação foi alimentada e alguns chegam a acreditar que o tucano poderia até ter as bênçãos do Executivo para o próximo biênio. A questão é que as conversas já estão adiantadas em torno de Walter Costa (PPS). Para um outro grupo, a sondagem de Edmundo, com a presença do presidente estadual do PPS, deputado Arnaldo Jardim, em uma reunião, não teria gerado um compromisso de apoio.O nome do aliado do prefeito já tem a simpatia de integrantes de outros partidos, principalmente do PDT. Sem se reunir depois da eleição e sem cronograma político até o momento, o PDT pode ver o partido dividido na eleição da Câmara. A maioria dos vereadores eleitos pela legenda indica que pode preferir o candidato apoiado pelo prefeito em detrimento a Luiz Carlos Valle, que é da própria bancada. Estão mais afinados com Walter Costa nomes como Faria Neto, Renato Purini e José Humberto Santana. Eles chegaram a almoçar juntos para discutir o assunto. O pastor Luiz de Jesus já esteve no Gabinete de Nilson Costa e teria perguntado, inclusive, qual é o candidato do prefeito para a eleição da Câmara.Mutáveis ou não, além de Edmundo Albuquerque outro nome que surgiu de conversações de articuladores políticos do meio empresarial é João Parreira (PDT). O pedetista é bem visto por possíveis aliados do prefeito e conta também com a simpatia de Dudu Ranieri (PFL). Entretanto, João Parreira teria suas chances ampliadas se não dividisse votos com Luiz Carlos Valle. Mas não é só o PDT que precisa unificar sua bancada em torno de um único candidato se quiser participar diretamente do resultado da eleição na Câmara. O grupo do prefeito também. Isso porque, o time do bem só teria, matematicamente, cinco nomes de seu lado, sendo três do PPS e dois do PFL. Entretanto, ninguém garante que vereadores como Miltom Dota Júnior, por exemplo, estão fechados com o Executivo. A história política local mostra que o Executivo só não tem a maioria da Câmara, em termos de bancada, se cometer erros políticos. Da mesma forma, os registros mostram que apoio tem sido sinônimo de composição, que quer dizer invariavelmente oferecimento de cargos ou facilidades em atendimento à solicitações dos vereadores simpáticos ao Governo Municipal. Por enquanto, cada voto pode ser fundamental na disputa pela Mesa da Câmara. Com isso, além dos votos teoricamente isolados, como o de Rodrigo Agustinho (PMDB), a eleição tem, se fosse hoje, alguns fiéis da balança. Se o prefeito acenar, o PPB pode garantir três votos, ou pelo menos dois na disputa. Assim, ainda que negue, o prefeito sabe que o presidente da Câmara tem muita chance de ser aquele que ele definir como preferido. Enquanto isso, resta aguardar cenas dos próximos capítulos.

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