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Iguais perante a lei

N. Serra
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Aconteceu, finalmente, o episódio que se considerava máximo, referente à apresentação do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, o cantado e decantado Nicolau dos Santos Neto, que se tornou famoso por aparecer diariamente no noticiário policial dos meios de comunicação. Se a Constituição Federal estatui, de forma insofismável, que todos são iguais perante a lei, por que se admitiu que esse cidadão e outros espalhados no País pudessem sentir-se imunes, por tanto tempo, às cominações legais? A troco do que deixar que podia Lalau descumprir as determinações da Justiça se está, pessoal e administrativamente, sob sua irrestrita jurisdição, dela não podendo tergiversar, usando atalhos não deferidos a ninguém por mais privilegiado que pudesse ser? Realmente, ninguém tem o direito de ignorar a lei e nem desrespeitá-la.Custa acreditar que, por exemplo, no caso desse trânsfuga inveterado, se contemporizasse generosamente quanto ao irrestrito cumprimento daquilo que a Justiça merecidamente lhe decidiu. Difícil crer, também, que o homem estivesse tão bem oculto para que não pudesse ser localizado pelas patrulhas de autoridades. Não puderam elas utilizar seus espertos cães viralatas? Seria ele invisível até por via das lentes de amplo aumento que, supomos, pudessem ser como aquelas milagrosas que nosso prezado oculista nos implantou nos olhos, há poucos dias, para nos ajudar a pintar melhor as paisagens humanas que botamos em nossas opiniões? Não se poderia nunca deixar que se dissipasse assim, grosseiramente, a aura de confiança que a sociedade, na sua maioria, sempre depositara na seriedade dos ditames legais. E não é só para o caso do ex-ministro que se voltou agora a perplexidade da Nação, pois nos foruns de centenas de comarcas do País há muitas decisões prolatadas cujo cumprimento os sentenciados vão enrolando, jogando para dias melhores, usando enfim de todos artifícios e artimanhas para dar tempo ao tempo e defender os costados das imediatas execuções penais que lhes estejam reservadas. Afora isso, não se esqueça também dos escândalos das financeiras apurados pela Justiça mas com cumprimento posto em banho-maria pelos liquidatários das empresas.No fim da semana passada, a opinião pública foi empolgada com a iminência de Lalau vir a se apresentar imediatamente à Polícia, mediante promessa de várias regalias protocolares. Só faltou lhe colocarem à disposição um Rolls Royce presidencial, para sua chegada triunfal à Polícia Federal. Mas lhe foi melhor pois ele viajou de Santana do Livramento num avião particular, haja vista que preferiu aspirar a brisa suave dos poéticos ares cortados pelo avião, o que lhe possibilitou admirar de perto (seria pela última vez?) as belas nuvens azuis dos céus claros do Sul de seu país. E aí está ele usufruindo de inúmeras regalias em seu confortável convívio no recesso policial. O que será que lhe está reservado daqui pra frente? Vão conseguir que ele devolva à Nação os 170 milhões de reais que desviou das obras do Tribunal? Se não lhe tirarem o que subtraiu e canalizou para a Suíça tudo vai continuar se estraçalhando no sopé da montanha. E quando, então, a Justiça sobrepairará, finalmente, neste cordato País? Prender somente não vale! É crime que não compensa! Capriche-se na vigilância do esperto viandante porque em sete meses de vôos ele adquiriu experiência de emérito astronauta. É a nossa opinião. (O autor, N. Serra, é jornalista responsáel do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado)

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