O Brasil se caracteriza por possuir mercados concentrados. Poucas empresas dominam importantes setores da economia. Montadoras de veículos, indústria de cimento e aço, são alguns exemplos.Existe um setor, também muito concentrado, que é a indústria farmacêutica. Esse setor é dominado por empresas multinacionais, que apostam pesado no mercado brasileiro.Acaba, como a maioria dos setores oligopolistas, impondo seus preços e suas condições no mercado. Está distante da lógica da oferta e procura dos mercados mais competitivos.Vale-se, inclusive, da mania do brasileiro em se automedicar. Na verdade, parte da população brasileira é reflexo da ação governamental na saúde: trabalhamos muito pouco na prevenção.Houve um acordo neste ano no sentido de postergar aumentos nos preços dos remédios. Houve em alguns casos um certo sucesso.Mas agora volta a discussão de um possível reajuste nos preços. A alegação do setor é a desvalorização cambial, além da pressão internacional sobre os custos. Há ainda a forte carga tributária que acaba onerando o preço do produto.Podem até ter argumentos factíveis, todavia, só conseguirão reajustes por participarem de mercados concentrados. Hoje fica evidente que, quando há produtos substitutos, o consumidor diz não ao consumo de um determinado bem, substituindo-o por outro que sirva para a mesma finalidade.Os genéricos seriam uma saída natural, mas falta aumentar a oferta desses produtos no mercado. Para não aceitar o possível aumento só com postura firme do governo. O ministro Serra (engenheiro com pós-graduação em economia) pode ser esse divisor, afinal, fazer conta ele sabe, e, poderá, se necessário, avaliar claramente o que é abusivo e o que tolerável.Parece-nos que há mais abuso do que aumentos toleráveis. (*) Reinaldo Cafeo - Delegado do Conselho Regional de Economiacafeo@economiaonline.com.brwww.economiaonline.com.br
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