Geral

De olho no anzol

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Uma vez estive em Ilhabela e achei curioso os pescadores reunidos no pier da Vila, à noite, para a pesca de peixe-espada. A pescaria poderia demorar horas para a primeira mordida ou, quando ocorria a proximidade de um cardume, aí o grupo se empolgava ainda mais. Com suas longas varas e molinetes, era um peixe atrás do outro. Para orientar o pescador, o uso de bóia luminosa, que pode ser à pilha ou com luz química, que dura em média 12 horas, era fundamental. Porém, o momento mais perigoso da pescaria de espada era, acreditem, o arremesso.É verdade. Além dos pescadores precisarem alcançar longas distâncias com suas iscas (a maioria usava sardinha, um dos pratos preferidos do espada), havia um agravante: muito pescador para pouco pier. Resultado: era preciso muito cuidado para não ferir ninguém. Para colaborar com o bom andamento da pescaria, adotaram-se regras simples. Na hora de arremessar, era preciso dizer: Cuidado com o brinco! Assim, procurava-se evitar o risco de se prender a orelha em uma garatéia e todos abriam espaço para o sucesso do arremesso.Outra regra importante: o passinho. Qualquer movimento realizado pelo pescador exige que seja acompanhado por todos. Aí entra a frase: Olha o passinho! Juntos, eles dão um passo para o lado. É um balé que invade a noite.Pensando na pescaria de espada e observando vários acidentes que ocorrem com anzóis e garatéias, aproveitamos para dar algumas dicas para os pescadores. É sempre bom prevenir para evitar o fim de uma pescaria tendo um anzol como brinco.Começando pela tralha. O pescador cuidadoso deve ter seus anzóis guardados separadamente - há caixas específicas para isso - e fora do alcance das crianças. As iscas artificiais, que ocupam bastante espaço e contêm garatéias perigosíssimas, devem ter cuidados especiais. Evite amontoar uma grande quantidade de iscas na caixa de pesca; separe por tipos (meia água, fundo, superfície), assim fica mais fácil encontrar no momento de usar e evita um dedo machucado.Aproveite também para tornar-se um adepto da pesca esportiva e retire as farpas de anzóis e garatéias. É só apertar com um bom alicate. Assim machuca menos o peixe que será devolvido para a água e evita maiores danos em acidentes. Quando alguém é fisgado acidentalmente por um anzol com farpa é preciso transpassar o anzol pela pele e depois cortar sua ponta para que seja retirado. Caso contrário, se alguém resolver puxar o anzol poderá aumentar ainda mais o ferimento. Sem farpas o perigo é muito menor. Há quem acredite que o anzol sem farpa facilita a fuga do peixe, mas o bom pescador mantém a linha esticada na hora da briga para garantir sua captura. Mais desafio, mais esportividade.Ainda falando na tralha, temos as iscas de fly. Muitas delas podem parecer inofensivos insetos, mas na hora de uma fisgadinha no dedo a dor não é nada agradável. Como as artificiais, é bom guardar as iscas em caixas fechadas. O pescador de fly deve tomar muito cuidado ao arremessar, afinal, suas moscas vão longe.Em dias de pescaria é bom usar sapatos com solado reforçado, pois não são raros incidentes em que o pescador pisa em um anzol ou garatéia. O boné ou chapéu é outro aliado do pescador, assim fica protegido do sol e de possíveis arremessos mal-sucedidos. Mais um equipamento de proteção: óculos. Polarizados (aqueles que permitem visualizar os peixes à distância) ou não, são importantes para evitar acidentes com os olhos.O cuidado com o arremesso deve ser levado em consideração sempre. Mas quando o espaço é reduzido ou na pesca embarcada é preciso redobrar a atenção. Não fique de costas para o seu companheiro, fique ao seu lado ou arremessando no mesmo sentido. Caso seu anzol enrosque, nunca puxe com força, pois a isca pode voltar em alta velocidade e ferir alguém. Tente alguns pequenos toques com a ponta da vara dentro da água. Se não obtiver resultado satisfatório, leve o barco até lá e retire sua isca.Para finalizar, tenha sempre em sua tralha de pesca: um alicate de corte e um alicate de pegar o peixe, assim você tem maior proteção para manipular o peixe capturado, enquanto retira o anzol. Na caixa de primeiros-socorros, são muitos os itens que devem estar na lista, mas alguns não podem ser esquecidos: além dos remédios básicos (antitérmico, antiinflamatório, antiácido, antialérgico, analgésico, etc.) algodão, gaze, esparadrapo, mercurocromo, água oxigenada, curativos adesivos, pomada contra irritação da pele ou picadas de insetos, álcool, leite de magnésia, tesoura pequena, pinça, termômetro, repelente, protetor solar e creme hidradante. Agora é ficar ligado em anzóis e garatéias, evitar acidentes e boa pescaria.

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