O comércio está esperando vendas de Natal neste ano superiores às do ano passado e a produção industrial cresceu 8% nos dez primeiros meses do ano, em relação ao mesmo período de 1999. Esta relação pode diminuir um pouco no fechamento do ano porque em novembro/dezembro do ano passado já havia uma pequena recuperação, mas nada muito importante, devendo manter uma taxa de crescimento da indústria em torno de 7%. Provavelmente, vamos terminar o ano 2000 com o PIB registrando uma expansão de 4%, o que é um resultado razoável, se tomarmos como referência os três anos anteriores de crescimento medíocre da economia. Devido à recuperação da atividade industrial, o desemprego parou de crescer no segundo semestre, mostrando uma pequena queda de 1 ponto percentual em outubro. Desde outubro de 1991 não se verificava um fato dessa natureza.Esses resultados são importantes porque promovem uma expectativa favorável e nós aprendemos que, em economia, as expectativas criam o fato. Numa certa medida, elas antecipam o futuro. Quando as pessoas percebem que está havendo uma melhoria de renda, que a produção aumentou e que há mais oportunidades de emprego, elas começam a operar na mesma direção e isso se torna uma espécie de profecia que se auto-realiza. Devemos, portanto, iniciar o ano 2001 com a perspectiva de pelo menos repetir a performance deste ano.Quanto à recuperação dos níveis de emprego, uma expansão de 4% do PIB é claramente insuficiente. Precisamos de taxas de crescimento bem mais robustas. Os leitores já devem estar acostumados com minha insistência em mostrar que existe uma relação muito estreita entre as flutuações das taxas de crescimento do Produto e as flutuações dos índices de desemprego. O crescimento do PIB num trimestre determina a redução do nível de desemprego no trimestre seguinte. Embora de forma ainda modesta, pois a queda de 1% no índice de desemprego é uma gota d'água no oceano, o fato é que a recuperação da produção que começou em meados do ano passado já repercutiu favoravelmente no mercado de trabalho.Tenho insistido também (correndo o risco de cansar o leitor, mas sem mover o governo) que podemos acelerar o crescimento econômico e reduzir mais rapidamente o desemprego, se perdermos o receio de apressar a queda das taxas de juros e se decidirmos finalmente dar suporte ao setor privado para que ele aumente as exportações. A taxa de juros para as empresas que têm bom acesso ao crédito não é menor do que 21% ou 22% ao ano, em termos reais. É ainda uma das mais altas do mundo, o que inibe os investimentos na produção, especialmente se pretendemos ampliar as exportações industriais que exigem prazos mais longos de preparação. É preciso, portanto, estimular o Banco Central a retomar a trajetória de redução da taxa básica e insistir com o restante do governo para apressar o processo de desoneração dos impostos nas exportações.Com esses dois movimentos, poderemos transformar em realidade as expectativas de crescimento da economia em 2001 e de redução das taxas de desemprego.(*) Antonio Delfim Netto é deputado federal pelo PPB-SP, professor emérito da Faculdade de Economia e Administração da USP e ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento -E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br
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