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Lençóis poderá ser vigiada 24 horas

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

Monitoramento através de câmeras em pontos estratégicos é uma medida que a cidade pode adotar contra violênciaLençóis Paulista - A violência e a criminalidade, que tanto assustam a sociedade, há muito deixaram de ser uma exclusividade dos grandes centros urbanos do Brasil. Elas migraram para as cidades médias, e até mesmo às pequenas, embora numa proporção um pouco menor. Visando evitar que esse mal crie raízes e cresça no seio da comunidade, a Polícia Militar de Lençóis Paulista aposta na tecnologia para, pelo menos, atenuar esse drama vivido por grande parte da população. A mais nova arma, que deverá ser usada no combate à criminalidade, não é nenhum fuzil de última geração ou que tenha precisão e alcance inquestionáveis, mas minúsculas câmeras de vídeo. A idéia dos policiais é instalar um sistema de segurança, composto por essas câmeras, que funcionariam durante 24 horas. Elas seriam colocadas em pontos estratégicos, espalhados pela cidade. A iniciativa de trazer para a cidade um sistema de segurança, ao mesmo tempo novo e abrangente, teria partido do comandante da Polícia Militar José Aparecido Godoi Siqueira. Em uma viagem, feita recentemente, a São Paulo, Siqueira ficou conhecendo o projeto - o qual estaria sendo utilizado por outros municípios do Estado e com resultados animadores - e decidiu trabalhar pela sua introdução em Lençóis Paulista. Mesmo sabendo de antemão que, na maior parte desses municípios, é a Guarda Municipal que faz o monitoramento, Siqueira não perdeu o ânimo e voltou para Lençóis convencido de que esse serviço pode, perfeitamente, ser realizado também pela PM, desde que a central de comando fique no quartel. Com o monitoramento por meio de câmeras de vídeo, seria possível, a um policial, visualizar atitutes suspeitas ou mesmo a prática de algum crime nas proximidades de uma determinada câmera.Assim que retornou da Capital, Siqueira entrou em contato com uma empresa de Campinas, especializadas nesse tipo de monitoramento, para que a corporação, como um todo, tomasse conhecimento da finalidade e da viabilidade do projeto para a cidade. Representantes da empresa foram então até Lençóis e apresentaram, aos policiais, uma proposta de monitoramento que abrangia apenas a região central da cidade. De acordo com essa proposta, seriam instaladas 32 câmeras de vídeo fixas, ou seja, com foco único, cuja transmissão de dados seria feita por meio de cabos coaxiais. Assim sendo, a central de vídeo - para onde seriam enviadas as imagens de todas as câmeras - deveria ficar a apenas 800 metros da câmera mais distante. O pequeno alcance e o campo de visão restrito do vídeo, não agradaram aos policiais. segundo o tenente Alan Terra, outro entusiasta do projeto. O sistema planejado pelos policiais é mais ambicioso. O número de câmeras seria reduzido de 32 para apenas 8. No entanto, esses aparelhos não seriam fixos, mas móveis. A transmissão de dados seria feita por meio de cabos de fibra ótica.Outro quesito que seria melhorado com o projeto da PM, é quanto a distância máxima entre a central de comando e o ponto mais distante de captação de imagem. A opção pelo cabo de fibra ótica, em detrimento ao coaxial, aumentaria essa distância, dos restritos 800 metros, para quatro quilômetros. Isso serviria para viabilizar dois dos pontos estratégicos definidos pelos policiais. Duas câmeras seriam instaladas na entrada da cidade, no acesso à rodovia Marechal Rondon. As demais seriam distribuídas no centro da cidade - onde está concentrada a maior parte do comércio - e em pontos de grande concentração pública. Com isso, nós vamos ter condições de dar uma resposta mais rápida à população. Mas, principalmente, poderemos agir de forma preventiva, acredita o tenente.Vigiando do quartelDo quartel, um policial comandaria as oito câmeras, as chamadas telefônicas, a comunicação via rádio e o controle das viaturas que exercem o policiamento preventivo na rua. Uma vez detectado qualquer problema, o policial aciona a viatura mais próxima do local para agir de forma preventiva ou punitiva.Projeto tem apoio de comerciantesParte da população vê projeto com simpatia. Problema é quanto a responsabilidade sobre os custos do equipamentoSe depender da disposição dos comerciantes, bancários e do poder público, a parceria para a viabilização do monitoramento por meio de câmeras de vídeo tem tudo para dar certo. Para o gerente das Casas Pernambucanas, Jonas Moghetti Neto, trata-se de um projeto importantíssimo e que tem grandes possibilidades de inibir ações de pessoas mal-intencionadas. Moghetti Neto acredita que não haverá maiores dificuldades em colaborar financeiramente com o projeto, desde que o mesmo seja levado a sério e esteja dentro de um custo aceitável, ou seja, próximo à realidade financeira do estabelecimento. O gerente da agência do Bradesco, que se identificou apenas como Irineu, considera a iniciativa válida, pois irá reforçar a segurança do local. No entanto, qualquer possibilidade de ajuda financeira terá de ser analisada pela diretoria do banco. Segundo ele, a agência não tem autonomia para decidir sobre uma eventual colaboração com o projeto. Mas ele acredita que se cada um dos 55 mil habitantes de Lençóis contribuíssem com R$ 1,00 ajudaria bastante, embora não fosse o suficiente. Para a gerente de Móveis Lindolar, Marlei Aparecida Matos Duarte, o monitoramento planejado pela Polícia Militar pode ser excelente para o comércio da cidade. Segundo ela, falta segurança mesmo durante o dia. Mas, alertou que a colaboração financeira somente seria feita se todo o comércio aderir. Com certa dose de razão, ela não acha justo que alguns fiquem com as despesas e todos com os benefícios. PrefeituraO atual prefeito José Prado de Lima (PFL) considera louvável a iniciativa da PM. Ele acredita que a parceria, entre os diferentes setores da sociedade, é a solução para muitos problemas do dia-a-dia. Prado garantiu que a Prefeitura está disposta a colaborar com o projeto, mas não na parte financeira, pois toda a receita já estaria comprometida, até o fim do ano. Já o prefeito eleito, José Antônio Marise (PMDB), é mais cauteloso na análise do projeto. Ele também acha importante esse tipo de iniciativa, pois é um fator que pode contribuir para aumentar a segurança na cidade. No entanto, ele lembrou que é preciso analisar com cuidado o aspecto legal do projeto, que poderia resultar em invasão de privacidade. Quanto à ajuda financeira, Marise não quis adiantar se irá colaborar ou não com o projeto. Ele vai esperar até ser empossado para depois decidir. Segundo Marise, o orçamento do município, para o próximo ano, já está pronto e é preciso analisar as possibilidades que ele terá para um eventual remanejamento de verbas.CustosDe acordo com o tenente Terra, o sistema da empresa, com 32 câmeras, estaria girando em torno de R$ 80 mil. Já o sistema proposto pela PM, com as oito câmeras giratórias, o custo poderia chegar a R$ 250 mil. Esse seria o valor para viabilizar o sistema.O custo do projeto, segundo Terra, seria coberto inicialmente por um grupo formado por empresários, comerciantes e pela Prefeitura. Seriam, basicamente, recursos levantados dentro do próprio município. Segundo o tenente, outras empresas, que realizam o mesmo serviço, foram contactadas e ficaram de entregar seus respectivos orçamentos.Anonimato X ostensividadeA idéia dos policiais é trabalhar explorando tanto o anonimato do sistema como sua ostensividade. Com toda a população ciente dos pontos onde estariam instaladas as câmeras, geraria uma sensação de segurança no local, ao mesmo tempo que as pessoas com propósitos menos nobres ficariam receosas no momento de praticar algum delito acredita Terra. O sigilo também seria usado para surpreender pessoas de outras cidades que, por ventura, não soubessem das câmeras.

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