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Pequenas empresas faturam mais

Paulo Toledo
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O faturamento das micro e pequenas empresas (MPEs) paulistas teve um crescimento de 3,8% em outubro em relação a setembro. No acumulado dos dez primeiros meses do ano, o índice de crescimento é de 2,2%, em relação ao mesmo período de 99, refletindo o comportamento atual da economia brasileira: segue em ritmo de crescimento, lento, mas contínuo. Em 12 meses, esse crescimento chega a 12,5%. De acordo com dados da Pesquisa de Conjuntura das Micros e Pequenas Empresas (MPEs) do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada pelo Sebrae-SP e Fundação Seade, o Interior teve crescimento acima da média do Estado em outubro, quando chegou a 7,7% e 9,6% de janeiro a outubro (veja quadro). Quando se retrata os últimos 12 meses, a diferença é 0,5% menor que a média, ficando em 12%.O setor industrial apresentou a melhor performance, com crescimento de 3,9%, seguido pelas empresas do Comércio, onde a alta foi de 2% no período. O único desempenho negativo, no acumulado do ano, ficou para o setor de Serviços, que teve uma retração de 1,3%.Para este setor - que esboçou uma pequena recuperação nos meses anteriores - o nível de faturamento no acumulado dos 10 primeiros meses do ano ainda foi negativo e fechou em -1,3%.Na comparação com o mês anterior, o resultado confirma a tendência de recuperação lenta e gradual das vendas do setor. O destaque fica para as empresas comerciais, que aumentaram o faturamento em 7,4%. As empresas industriais faturaram 5,5% mais. Porém, o setor de serviços apresentou queda: o estudo também registrou redução de 6,9% em relação ao mês anterior.Para o delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, se não fossem as variáveis externas (Estados Unidos e crise Argentina) esse crescimento apresentado em outubro, de 3,8%, poderia ser mais vigoroso, considerando que haveria espaço para uma redução mais acentuada das taxas de juros brasileira. Ele salienta que a política monetária atual pode ser considerada apertada.Cafeo destaca que o setor industrial, que puxou o crescimento mais acentuado da economia, cedeu espaço, ao menos no mês de outubro, ao setor comercial. Isso era previsível uma vez que a indústria trabalha alguns meses antes do reflexo no comércio. No Interior, afeito a nossa região, a indústria cresceu 5,8% contra um crescimento de 10,6% do comércio, afirmou.O delegado do Corecon diz que o setor de serviços vem perdendo espaço. Para ele, isso pode ser explicado pelo caminho de volta de muitas pessoas/empresas. Quando há escassez de recursos no setor secundário, o abrigo natural é o setor de serviços. Mas muitos preferem o setor secundário e, em tendo melhora, acabam retornando. Ficam basicamente as empresas terceirizadas do setor industrial.FestasNa análise dos técnicos do Sebrae-Seade, as festas do final do ano já refletem positivamente na ocupação das MPEs paulistas. De acordo com dados da Pecompe houve crescimento de 1,8% no item Pessoal Ocupado das empresas, que no acumulado de 12 meses chega a 10,5%. O mais interessante é que esse índice salta para 3,3% no Interior do Estado, sendo que o acumulado nos últimos 12 meses bate na casa de 12,8%.O setor de comércio foi o que mais contratou trabalhadores em outubro, com crescimento de 3,2% no Estado como um todo, sendo 4,6% de ampliação no Interior. Na indústria, a contratação de pessoal cresceu 1,1% quando comparada com setembro, sendo que esse índice dobra quando se refere ao Interior. No setor de serviços, a alta estadual chegou a 0,5%, enquanto no Interior foi de 2% (veja quadro). Em termos de Estado, os gastos com salários também apresentaram expansão de 2,8% em outubro, comparando com setembro, e de 6,3% no acumulado dos 10 primeiros meses do ano, em relação do mesmo período do ano anterior. Nos últimos 12 meses, esse índice sobre para 23,1%. O Interior, novamente, apresentou índices melhores que a média, ficando respectivamente em 3%, 18,5% e 22,5% (veja quadro).Na análise dos técnicos do Sebrae-Seade, essa recuperação se deve basicamente a um quadro macroeconômico mais favorável, em relação ao que prevaleceu nos anos anteriores (1998 e 1999). O quadro atual tem se caracterizado por uma taxa de juros interna (taxa Selic de 16,5% ao ano) que é a mais baixa dos últimos anos. Além disso, uma taxa de câmbio favorável à expansão das exportações brasileiras, em especial das grandes empresas exportadoras (que ao exportarem injetam mais renda na economia) e uma expansão do número de pessoas que vêm encontrando novas posições no mercado de trabalho, com conseqüente aumento da massa salarial (soma de todos os salários pagos na economia), o que também favorece as vendas de produtos e serviços oferecidos pelas micro e pequenas empresas.PrevisãoReinaldo Cafeo diz que, apesar dos resultados, ainda não se pode afirmar que o crescimento daqui para frente será mais vigoroso, mas, o que vale é a tendência e, considerando que pelo terceiro mês consecutivo ocorreu um crescimento no nível de faturamento, a tendência é positiva.Para o delegado do Corecon, as MPEs estão mantendo seu papel em na economia brasileira: gerar e mantendo empregos e renda.

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