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Construtoras parcelam para aquecer vendas de imóveis

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

As construtoras de Bauru estão fazendo vendas parceladas de apartamentos prontos, seguindo uma tendência que já vinha sendo verificada no mercado imobiliário de Bauru. José Regino Júnior, o Juca Regino, diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), disse que dois motivos básicos alavancam essa prática: a estabilidade da economia e a falta de financiamentos bancários para venda desses imóveis.Juca Regino afirma que a estabilidade da economia facilita as vendas parceladas, uma vez que não há a insegurança de que ocorram reajustes muito além do suportável, o que poderia causar inadimplências. Ele diz que essa divisão de pagamentos é variável por empresas.Por outro lado, o sistema financeiro está com poucas linhas de crédito abertas para compra de imóveis e, somente para imóveis novos, ou seja, que não podem ter mais de seis meses de Habite-se.O diretor regional do SindusCon-SP acredita que a tendência é de que as vendas parceladas crescam, como ocorre em qualquer país com a economia estabilizada.Ele aponta, ainda, a possibilidade das construtoras fazerem esse parcelamento e, depois, negociarem seus recebíveis com o sistema financeiro, numa forma de alavacarem recursos para investimento em novos empreendimentos. É um caminho natural. O melhor seria ter os financiamentos bancários, mas como não estão disponíveis, o parcelamento é um caminho para as construtoras, afirmou.Juca Regino disse que a modalidade de parcelamento de imóveis agradou e está ajudando a aquecer o mercado de Bauru. Para ele, o sistema poderia ser aperfeiçoado com a construtora financiando uma parte e os bancos outra, por meio de taxas especiais de compra de recebíveis das construtoras. Vale destacar que, neste sistema, quem deve ao banco é a construtora, que fica como avalista do pagamento.Riad Elia Said, diretor da Construtora Residec, confirma a tendência e destaca que o parcelamento vem sendo realizado, a princípio, para facilitar a vida do comprador, que muitas vezes não tem o dinheiro completo ou, mesmo, tem alguma aplicação que precisa esperar.De acordo com ele, o parcelamento está sendo aplicado tanto nas vendas para futura entrega, como é tradicional, quanto em relação a imóveis prontos, para cobrir as deficiências de financiamentos que estão sendo enfrentadas pelo mercado. É uma modalidade que as construtoras estão adotando para facilitar a venda de apartamentos, pela falta de financiamento, afirmou.Vale lembrar que um imóvel só é considerado novo, para efeitos de financiamento, pelo prazo de seis meses após a emissão do Habite-se. Para Said esse é um prazo muito curto, em alguns casos. Assim, quem tem unidades disponíveis acaba fazendo o parcelamento para facilitar a venda.O empresário William Sayeb, da Costrutora Assuã, vê o parcelamento como uma saída, desde que a empresa tenha suporte para realizar esse tipo de operação. A venda em vários pagamentos já é uma praxe. Porém, é considerado ideal que todas as unidades estejam vendidas na hora da entrega. Mas, diz ele, tem ocorrido de sobrar unidades ao final do prazo e, com isso, surgido a necessidade de facilitar o pagamento para concretizar a venda, até pela falta de financiamento habitacional. Shayeb diz que alguns compradores também fogem do crédito habitacional pelo sistema financeiro.Shayeb afirmou que, como a variação na construção civil tem sido pequena, o parcelamento, em prazos não muito longo, tem sido viável e uma tendência para o mercado imobiliário. Ele também vê a possibilidade de parcelamento com a venda do recebível para instituições financeiras como uma possibilidade, assim como o diretor regional do SindusCon-SP.

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