O término da votação regimental dos dez principais relatórios setoriais do Orçamento da União foi adiado para ontem, contrariando a expectativa do chefe do Governo que desejava ter os documentos em mãos na sexta-feira. Então, mais uma vez os partidos de oposição frustraram o presidente, que, dias atrás, tinha formulado veemente apelo aos parlamentares para que não atrasassem mais a votação dos importantes textos orçamentários, dos quais dependem diretamente todos os Ministérios para o desenvolvimento de seus programas no próximo exercício. Convence-se, então, a partir disso, o chefe da Nação, de que em hipótese nenhuma poderá vir a contar ocasionalmente com a condescendência de seus tradicionais opositores no Congresso, já que eles arranjarão sempre saídas habilidosas para contrariá-lo em suas premências. Toda a infra-estrutura governamental, então, representada pelos setores dos Transportes, Energia, Comunicações, Integração Nacional, Saúde, Educação, Ambiente, Cultura, Ciência e Tecnologia, Esporte e Turismo, encontra-se à mercê da boa vontade dos homens do lado contrário, o que naturalmente, será para esses órgãos um passo para trás, em função daquilo que o atraso lhes acarretará na execução de seus trabalhos a partir de janeiro. E, considerando-se que, paralelamente a essa dezena de relatórios, estão também na dependência das contramarchas oposicionistas outras tantas, em número de sete, em sua maioria de cunho reconhecidamente social, pode-se inferir-se que o prejuízo previsto para todo o Orçamento da União e, conseqüentemente, para a vida nacional, é desses que afetam profundamente a caminhada normal do Executivo, condicionado a longa espera enormes esquemas administrativos. Está-se entendendo, dessa forma, que parece não ter sido suficiente a veemência do apelo de Fernando Henrique Cardoso para que a oposição não continuasse amarrando suas mãos através de obstáculos colocados à frente da locomotiva orçamentária, pois a máquina, que já demorou muito em sua largada na primeira estação, custa também para chegar, finalmente, à sombra da estação final. A tudo continuar assim, senhores passageiros, ou sejam, brasileiros ocupantes das belas poltronas do trem, a composição corre perigo de descarrilar inapelavelmente sobre os trilhos avariados da economia, tornando o quadro administrativo do País, no 2001 da história, com os graves problemas que 2000 não teve. É a nossa opinião. (N. Serra, Jornalista Responsável do JC e Delegado Regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado).
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