A Assembléia Legislativa (AL) aprovou, na última sexta-feira, um projeto de lei de autoria do deputado César Callegari (PSB) que obriga o Governo do Estado a efetuar o pagamento dos funcionários públicos através, apenas, de bancos estatais. Com isso, a conta de cerca de 1,2 milhão de trabalhadores seriam retiradas do Banespa/Santader e transferidas, provavelmente, para a Nossa Caixa Nosso Banco (NCNB). É ilegal e até imoral manter o pagamento dos servidores através do Banespa privatizado. O governo paulista tem um banco público próprio e deve investir nele, disse o deputado.Ele explicou que as contas do funcionalismo público movimentam cerca de R$ 1 bilhão mensais na instituição. Se fosse para manter o pagamento em um banco particular, o governo teria que abrir licitação, para escolher aquele que oferece mais vantagens aos clientes, destacou o parlamentar.O Projeto de Lei n.º 587/2000, que discorre sobre o assunto, foi aprovado na última sexta-feira. No final desta semana, está sendo encaminhado para o governador Mario Covas, que terá 30 dias para sancioná-lo.Como ele assumiu um compromisso junto ao banco Santander, no ato da privatização, dizendo que manteria as contas dos servidores por sete anos na instituição, a possibilidade mais plausível é de que o projeto de Callegari seja vetado.Nesse caso, ele volta para a Assembléia. Callegari explica que isso não significa nenhuma derrota. Pelo contrário. O projeto voltando para a Assembléia, o Estado ganha um instrumento de negociação para utilizar junto ao grupo espanhol, disse. O projeto tem, na verdade, dois sentidos. Se sancionado pelo governador, cumpre seu objetivo primordial, pois permite a transferência das contas dos servidores para a Nossa Caixa. Se vetado, voltará para a Assembléia, que ganhará um instrumento político importantíssimo. Caso o Santander comece a demitir, os deputados poderão derrubar o veto do governador e levar as contas para outro banco, disse.Callegari acredita que, se Mario Covas for coerente com sua bancada na AL, deverá aprovar o projeto. Os representantes do governo sempre usaram o discurso de que Covas nunca quis se desfazer do Banespa. Se isso for verdade, ele vai sancionar o projeto, esclareceu.O deputado disse que a estrutura da Nossa Caixa já está sendo adequada para receber as contas dos servidores. Caso houvesse demissão no Banespa, a Nossa Caixa poderia, inclusive, absorver essa mão-de-obra que, com certeza, será necessária a ela, disse.BanespianosOs funcionários do Banespa/Santander ficaram preocupados com a aprovação da lei. No entanto, o diretor do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, Marcos Aurélio Silvestre, explicou que o objetivo da categoria é manter o emprego dos banespianos. Nós estamos discutindo com os agentes políticos para que mantenham as contas no Banespa/Santander desde que não haja demissão. Se mandar alguém embora, as contas devem ser retiradas imediatamente da instituição, explicou.De acordo com ele, houve uma agilidade fora do comum por parte da AL para a aprovação desse projeto. Até hoje, os deputados não colocaram em votação o plebiscito sobre a venda do Banespa e nem o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) que garante a volta do banco para o Governo do Estado. Esse outro projeto, no entanto, foi aprovado rapidamente. Fiquei espantado com tanta agilidade, ironizou.
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