Relatório do Conselho de Saúde lista deficiências do Pronto-Socorro Central, que inclui instalações inadequadasUm relatório elaborado por uma comissão especial do Conselho Municipal de Saúde ratifica as deficiências já notórias do Pronto-Socorro Central e revela uma série de outros pontos que determinam as condições precárias do serviço que atende mais de 4.500 pessoas todos os anos. O levantamento foi realizado por conta das inúmeras denúncias contra a unidade, acentuadas em virtude da morte de um estudante da Unesp, cujo falecimento ocorreu em circunstâncias até hoje investigadas pela Polícia, Ministério Público e Conselho Regional de Medicina. Depois de uma minuciosa vistoria, a comissão concluiu que as instalações do PS são totalmente inadequadas para atendimentos dignos e sem riscos, tanto para pacientes quanto para os profissionais que lá trabalham. O primeiro aspecto avaliado diz respeito ao espaço físico da unidade, concebido num momento distante e sob um modelo que já não suporta a demanda. O local não passa por reformas e ampliações há mais de 10 anos, razão pela qual pode-se ver a qualquer visita pacientes amontoados nos corredores e adaptações provisórias que afrontam o código sanitário. O PS não dispõe de sala de espera e nem de uma central de esterilização de materiais. Atualmente, os instrumentais são esterilizados no Instituto Lauro de Souza Lima. O serviço de lavanderia é igualmente terceirizado, mas com um agravante: só funciona em dias úteis, o que traz problemas em feriados prolongados e finais de semana. As roupas sujas são transportadas por ambulância, em sacos de ramper de tecido ou plásticos, e, após processadas, retornam em sacos plásticos, sem recipiente próprio. O serviço de limpeza também foi classificado como inadequado. No início do ano, uma outra inspeção feita pelo Grupo de Vigilância Sanitária da DIR-X já havia constatado a presença de bolor nas paredes e pequenas inobservâncias que fazem a diferença. Verificou-se, por exemplo, a falta de papel toalha e sabonete líquido nos sanitários coletivos, a presença de toalhas de tecido nos consultórios, exposição ao ar de abaixadores de língua (aqueles utilizados nos exames orais), ventiladores empoeirados, falta de compadres e comadres no setor de isolamento, entre outros vários.Na sala de emergência, existe apenas um ponto de saída de água e a torneira, ao contrário do recomendado, não possui dispositivo automático de abertura, assim como a do lavatório da sala de suturas. O PS não conta com sala de medicação, que é feita numa dependência onde também se coleta sangue. No que diz respeito ao ambiente da enfermaria de observação, foi constatada a total falta de privacidade, sem falar que alguns pacientes varam dias nessas condições à espera de uma vaga para internação. A permanência de pacientes nos corredores foi considerada pela comissão uma afronta aos mínimos preceitos de privacidade, conforto e humanização dos atendimentos. Quando da visita, cinco pessoas aguardavam leitos no Hospital de Base para receber tratamento adequado. Segundo o relatório, o tempo de espera depende da especialidade para a qual o paciente será internado. As vagas mais difíceis são na área de cirurgia vascular, ortopedia (cirurgias não emergenciais), neurologia, clínica médica e cardiologia. As dificuldades também são grandes para a internação de pacientes contaminados, que chegam a esperar uma semana por um leito. Em relação aos recursos humanos, as constatações não trouxeram novidades. Dos cinco clínicos que deveriam estar cumprindo a escala, um estava ausente, mas a comissão concluiu que as lacunas acontecem por conta da dificuldade de se cobrir ausências justificadas, como férias, licença-saúde e licença-prêmio. Na proposta de revisão do modelo de saúde, no entanto, a questão recursos humanos seria um dos pontos fundamentais. O problema funcional, segundo o relatório, está presente em todas as equipes (limpeza, segurança, médicos e enfermagem) e compromete a finalidade do PS. O desfalque no quadro funcional existe tanto na forma quantitativa quanto na qualitativa.Do ponto de vista da capacitação e qualificação profissional, a sugestão é para que a Secretaria Municipal de Saúde viabilize recursos para garantir a formação de pronto-socorristas, sejam eles médicos ou paramédicos. A postura ético-profissional, por sua vez, também teria que ser revista, especialmente porque põe em risco a credibilidade do atendimento.
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