Depois de chegar ao consenso de que a situação dos PSs está insustentável, Conselho de Saúde propõe revisão do sistemaTomados pelo consenso de que a situação das unidades de urgência e emergência de Bauru chegou ao limite da insustentabilidade, gestores e representantes dos mais diversos setores de Saúde concluíram pela necessidade imediata de rever o atual modelo do serviço. A questão deixou de ser pontuada pelo ponto de vista de administradores, médicos, conselheiros e parceiros para converger propostas e ações que consigam, de forma realmente efetiva, melhorar a assistência prestada aos usuários da rede pública. Esta semana, a reunião do Conselho Municipal de Saúde, quase sempre restrita aos seus membros, foi bastante concorrida, reunindo representantes da administração municipal, conselhos gestores, Associação Paulista de Medicina (APM), Conselho Regional de Medicina (CRM), Associação Hospitalar de Bauru (AHB) e médicos. O comparecimento maciço revelou, mais do que o interesse pelos problemas, o saturamento coletivo com uma situação que extrapolou a linha da insatisfação. Que o sistema estava esgotado e à beira da falência, quase todo mundo sabia, mas em nenhum momento até agora o descontentamento havia conseguido ser o ponto comum. Ao contrário, as crises eram resolvidas isoladamente e com a indicação de responsáveis; ora a culpa era atribuída ao Estado, ora ao município, ora à falta de estrutura, ora às falhas de atendentes e médicos. É bem provável que as recentes denúncias e fatos que desnudaram sem contestações a fragilidade do sistema tenham servido para a auto-crítica de cada setor envolvido.Reconheceu-se, por exemplo, que a assistência prestada pelas unidades descentralizadas de urgência e emergência está muito longe de ser eficiente; que a estrutura geral do Pronto-Socorro Central está sucateada e sem condições de atender à media diária de 350 pacientes, que o corpo clínico é deficiente, que o tratamento dispensado ao público é inadequado, que a retaguarda da rede hospitalar de referência (Hospital de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel) deixa muito a desejar. A gente precisa parar de fingir que acredita que, apesar das dificuldades, as coisas estão funcionando, desabafou a vereadora Maria José Majô Jandreice, presidente do Conselho Municipal de Saúde. Uma das ilusões a serem quebradas diz respeito às unidades descentralizadas de urgência e emergência. Administrativamente, as três (Mary Dota, Bela Vista e Ipiranga) mantêm estrutura de Pronto-Socorro, ou seja, seus funcionários recebem o tão desejado adicional de 125%. Operacionalmente, porém, só mesmo o atendimento 24 horas as caracterizam como PSs. Pacientes acidentados ou feridos à bala, por exemplo, não são - e nem poderiam ser - atendidos nas unidades descentralizadas, que, a bem da verdade, prestam assistência ambulatorial. A principal proposta levantada na reunião do Conselho foi a revisão do modelo descentralizado, que deixaria de lado a nomenclatura de Pronto-Socorro para referendar o tipo de atendimento que sempre prestou. Esses locais serviriam para atender os casos não urgentes, que hoje acabam caindo no PS Central porque os núcleos de saúde têm horário apertado e consultam mediante agendamento. O PS Central vive congestionado de casos que não têm nada a ver com urgência e emergência. E se algum caso grave surge num dos PSs descentralizados, acaba também transferido para o Central. Esse modelo, como a prática está cansada de mostrar, não funciona, salientou Majô. Temos quatro PSs, mas só um funciona verdadeiramente e, mesmo assim, com precariedade, acrescentou. Como seria uma utopia prover as quatro unidades de toda a infra-estrutura necessária, a alternativa viável seria focar todos os investimentos no Pronto-Socorro Central. A unidade ganharia equipamentos, médicos, atendentes qualificados e uma estrutura física compatível com a demanda (leia na próxima página sobre as condições atuais do PS Central). Nesse contexto, a retaguarda da AHB teria que estar integralmente garantida, porque de nada adiantaria a excelência da unidade sem a melhoria dos serviços de apoio de diagnóstico e terapia oferecidos pela Associação Hospitalar. A proposta em questão exigiria, inclusive, a suspensão de compromissos políticos assumidos pelo prefeito reeleito Nilson Costa, a exemplo da construção de um PS no núcleo Geisel. Para o Conselho, uma nova unidade de urgência e emergência só iria consolidar o caos. Seria ótimo o Geisel ter um PS, mas estaríamos deixando de investir na unidade de referência do município e ampliando um modelo falido. Além disso, já se anunciou o término do Hospital Regional, que, quando pronto, poderia atender à população daquela região. Por envolver questões políticas, todas essas mudanças dependerão ainda de muitas discussões para sair do campo das propostas. O fator financeiro também deve ser considerado um determinante, uma vez que a Prefeitura não teria como arcar sozinha com todos os investimentos. Desde já, por sinal, se conta com o empenho dos deputados bauruenses Pedro Tobias (PDT) e Carlos Braga (PPB) na busca de recursos governamentais. É mais do que hora de todos se mexerem para eliminar os riscos que os usuários do sistema ainda correm por conta das deficiências.
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