E o povo caminha mansa e obrigatoriamente mais uma vez para as urnas, como que se fossem ovelhas ou gado para o abate. Cada voto que foi colocado nas urnas substitui um ingresso para assistir uma peça teatral que já se arrasta por décadas, e o povo é quem paga por isto há muito.Os protagonistas nem sequer consultam o público para saber se estão gostando ou não da peça. Talvez porque já saibam a resposta. Por que eles continuam a pensar que o povo ou o público gosta mesmo de pão, água e circo?Porque pensam que não temos uma identidade própria, não sabemos o que somos ou o que queremos, se somos ovelhas, gado ou público. Ou nos enxergam como meros espectadores?Das três opções, prefiro que sejamos ovelhas ou gado, pelo menos como esses pacatos seres vivos não entenderíamos essa tamanha covardia e patifaria pela qual estão nos submetendo, a esse processo ridículo e vexatório, ao qual já sabemos o desenrolar da encenação.Já como espectadores e seres racionais, somos obrigados a chorar pela dor da traição e da falsidade dos artistas, e o que é pior, junto com a dor temos que aplaudi-los de cabeça baixa, pois tamanha é a vergonha e a indignação pela qual temos que assistir todos os dias, engolindo este cálice de fel e toda essa farsa a seco, e o mais ruim sem podermos fazer absolutamente nada como seres pacatos. Fica aqui minha pergunta para os artistas: Até quando tudo isto? Até quando guardaremos dentro de nós esta indignação? (Aloisio Moura dos Santos - RG: 18.816.510-1)
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