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Juventude atual pluraliza ação política

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 2 min

Esvaziamento dos conceitos de política e cidadania leva jovens a militar em várias esferas sociais para fazer a diferençaAlienado, vazio, desinteressado, bitolado e alheio são alguns dos sinônimos utilizados com freqüência para descrever o jovem brasileiro quando se questiona o seu engajamento político. Uma pesquisa realizada pela socióloga Loriza Lacerda de Almeida, docente do câmpus de Bauru da Universidade Estadual Paulista (Unesp), mostra, no entanto, que a juventude age politicamente, mas de maneira pluralizada.De acordo com o levantamento feito pela socióloga, contido na tese de doutorado O jovem estudante universitário: um estudo sobre o comportamento sócio-político, defendida por ela na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC - SP), os jovens reduziram a participação na esfera partidária para atuar mais ativamente na Igreja, nos movimentos culturais e nas organizações não-governamentais. O fazer, porém, continua o mesmo: é político.A juventude não é amorfa em relação à política, o problema é que ela tem poucos canais para efetivar essas manifestações, aponta Loriza. Outro obstáculo é que quando se questiona a ação política jovem se coloca como parâmetro os anos 60, década marcada pelo fortalecimento do movimento estudantil em nível global, contextualizado pelas mudanças sociais, políticas e econômicas profundas e pelo questionamento do modelo de ensino expositivo.Para a socióloga, a década de 60 tem a sua importância histórica, mas deve ser adotada como referência, não como modelo. A conjuntura atual é diferente, justifica. Nesse sentido, criar redes de participação e pluralizar espaços, opina a professora, pode garantir à juventude ações sociais mais concretas e continuadas.As ações já existem e podem ser sentidas com mais força, de acordo com a pesquisa de Loriza, nos movimentos religiosos e culturais. A questão é que a juventude não as encara como atitudes políticas, em razão do esvaziamento do próprio conceito de política, que passou a ser utilizado como sinônimo de corrupção. Hoje, o conceito está mais vinculado ao Lalau do que à possibilidade de agir concretamente, diz a socióloga.Além dos meios de comunicação, a pesquisadora culpabiliza os próprios agentes políticos pelo esvaziamento do conceito de política. Mesmo dentro dos movimentos estudantis, Loriza diz não haver dirigentes capazes de apontar caminhos, resultando numa diluição das perspectivas. Há um vazio de projetos para a juventude. O jovem não tem espaço para trabalhar, para estudar, enfim, tem dificuldade em se inserir e acaba sendo impulsionado para o mercado ilegal. A verdade é que ninguém acredita mais no jovem como futuro do País. A juventude está asfixiada, afirma.Em razão desse cenário desolador, Loriza defende a criação de espaços de interlocução com o jovem dentro das escolas públicas, universidades, meios de comunicação, Internet e, principalmente, nas igrejas e na família. Todas as instituições têm essa tarefa. Precisamos chamá-los para conversar em cima de projetos que eles próprios encarem como necessários. Se as diferenças passarem a ser vistas como qualidade e não como problema, o discurso político poderá se tornar concreto, como muitos jovens sonham, acredita.

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