O Natal é a festa da família e o réveillon é a festa dos amigos. É aquela noite em que ninguém se importa se o ano que está acabando foi bom ou ruim. A única coisa importante é o fato de que a noite de 31 de dezembro é a última do ano. E o dia é o primeiro que amanhece para a primeira manhã do ano. A noite é linda porque encerra todas as expectativas. O dia que vai segui-la é emocionante porque é o dia consagrado à confraternização universal, o dia que pode significar um recomeço em todos os aspectos da vida, daí, inclusive, a origem da palavra francesa réveillon, que em português pode significar despertar, renovar, renascer. Muitas pessoas preferem passar essa noite tão especial nos clubes ou nas casas noturnas, outras escolhem viajar para alguma cidade costeira. Cada um tem o seu próprio ritual, que, é claro, inclui um figurino adequado e as tradicionais simpatias. Para os que não vão fazer nada de estravagante e passar o réveillon em casa a dica é apostar na simplicidade. O fim de ano em casa ou com os amigos, para Martha Calderaro, autora do livro Etiqueta e Boas Maneiras, é íntimo, é fraterno, é participante. É correto, mas alegre. É informal, mas hospitaleiro. Resumindo, tem estilo e por isso também é escolhido por muitas pessoas. Ela dá as dicas para se fazer uma festa com simplicidade e bom gosto em casa.ConvitesA organização da festa começa pelos convites feitos informalmente pelo telefone, mas com antecedência suficiente para que os convidados tenham o seu dia 31 livre de compromissos anteriores, recomenda a autora em seu livro. Ao convidar, o traje deve ser mencionado, ao mesmo tempo em que o horário de chegada. O horário de terminar, é claro, não deve ser definido. Uns, por terem outros convites ou por deveres de família, são obrigados a correr de um réveillon para outro. Mas outros, com certeza vão ficar até o amanhecer do primeiro dia do ano, então o convite deve se estender até o primeiro café da manhã dó próximo ano. E o que deve ter esse café? Nada demais. Café com leite com jeito de manhã antiga, acompanhado de torradas, geléias e biscoitos caseiros, recomenda Calderaro. Tudo muito simples e eficiente. É claro que a escolha fica a cargo da dona da casa. Nunca é demais incluir variedades de frutas e frios. De qualquer modo não é uma obrigação.A mesaNa casa ainda vai estar com a decoração de Natal que fica até o dia de Reis (6 de janeiro). Na mesa, porém, tudo deve se modificar. O luxo na ceia de réveillon não é ostentação. É estilo e requinte. A mesa deve aparecer paramentada com a toalha mais fina da casa. Prata, cristais e porcelanas devem brilhar à luz das velas se for possível. Se a mesa for longa, a decoração pode ser complementada por finas peças de porcelana. As rosas devem estar presentes na decoração, dando um toque clássico ao ambiente. Se a recepção for para um grupo maior, que vá ocupar mais do que uma mesa central, o correto é organizar mesinhas com toalhas idênticas à da mesa principal e decoradas com as mesmas flores. Enfim, tudo igual para não quebrar a perfeita harmonia da noite.A ceiaSegundo Martha Calderaro, a ceia do réveillon é a primeira das grandes ceias de verão. Por isso devem ser programados canapés e salgadinhos leves, um bom uísque on the rocks e a clássica vodca sobre gelo ou em outras combinações. No buffet, devem aparecer crustáceos, peixes, musses e saladas variadas. E para completar e facilitar as opções, o clássico peru com castanhas, ou um finíssimo pato preparado com as doçuras da laranja e do vinho, ou o rosbife frio e bem acompanhado. Como sobremesas, os sorvetes, as musses e tortas geladas e todas as especialidades da dona da casa. Como bebida, o vinho branco, seco, de grande qualidade, que cai muito bem no nosso verão. Ou o máximo do bom gosto: o champanhe brut ou extra-brut, que combina com o réveillon, com os brindes ao Ano-Novo. Para terminar, a autora exige um bom café, quente e bem servido. Água gelada e refrigerante não podem faltar, assim como cigarros (se for do gosto dos anfitriões) e licores para quem suporta as misturas. Os trajesAlguns sugerem o branco absoluto para a última noite do ano. Outros sugerem as cores quentes do preto brilhante e do vermelho vivo. Em tudo obedece-se ao informalismo do verão, o elegante informalismo dos longos esportivos ou dos vestidos curtos e frescos com brilhos ou dourados, que vão estar com tudo em 2001. O que não é permitido é o exagero, afinal o carnaval ainda não chegou. Um toque especialMartha Calderaro sugere que se desligue o ar condicionado e se abra todas as janelas para que os sons de fora possam ser ouvidos assim como todo o mundo possa compartilhar da alegria que se está tendo naquele momento naquela casa, principalmente quando chegar as 24 horas e o relógio marcar o início de um novo milênio.
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