Geral

Menor município do País, Borá, ganha em termos de tranquilidade

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Borá - Instalado por lei estadual em 31 de março de 1964, mesmo dia em que o poder foi tomado por um golpe militar, o município de Borá, na região da Média Sorocabana, distante 80 quilômetros de Marília quase se orgulha do resultado do Censo 2000, divulgado pelo IBGE, que o apontou como o de menor índice populacional do País, com 795 habitantes. Para compensar o reduzido número de habitantes, a cidade ostenta índice de criminalidade próxima do zero, com uma cadeia pública, inaugurada em 1990, que jamais teve suas duas celas utilizadas. O último homicídio de que se tem notícia aconteceu há 45 anos, quando Borá era apenas um distrito de Paraguaçu Paulista. O município nunca teve um assalto, as pessoas ainda dormem com as janelas abertas e os dois únicos inquéritos policiais por furto, instaurados este ano, têm como indiciados moradores de outras cidades da região. Os outros cinco inquéritos tratam de casos simples de desentendimentos com lesões corporais leves e ameaças. Para o prefeito Luiz Antônio Vinhando (PSDB) a cidade já se habituou com a posição de última colocada no levantamento do IBGE, já que esta classificação se repete há pelo menos três recenseamentos oficiais, e procura tirar proveito desta situação utilizando o orçamento de R$ 1,8 milhão para melhorar as condições de vida de sua população. Mesmo porque a maioria dos moradores vive do trabalho volante na zona rural e depende da assistência social da prefeitura para a compra de remédios, ambulâncias e até mantimentos. Em outros tempos, Borá chegou a realizar campanhas, inclusive doando terrenos para a construção de casas e pagando as despesas de mudanças para atrair moradores, mas acabou percebendo que, na maior parte, despertava o interesse apenas de outros carentes, agravando seu problema social. O que precisamos - diz o administrador - é atrair pessoas dispostas a investir na cidade para gerar empregos e nestes casos continuamos a oferecer os mesmos incentivos. O prefeito acredita que a principal causa do baixo índice populacional de Borá está relacionado com a falta de empregos. Desde que a cidade perdeu uma destilaria de álcool em 1988, a esperança de reverter esta situação é cada vez menor. Quando os filhos crescem, os moradores são quase que obrigados a buscar cidades maiores, afirma. Talvez por isso, o vice-prefeito eleito, o padre, o delegado de polícia, o médico do centro de saúde, a diretora da escola e o gerente do Banespa, única agência bancária da cidade, não moram em Borá. O escrivão de Polícia Antônio Bento de Jesus Oliveira, e o comandante da Polícia Militar, Sargento Marco Antônio de Brito residem respectivamente em Paraguaçu Paulista e Tupã, e viajam todos os dias para trabalhar na cidade. São centros maiores que oferecem melhores condições para a família afirmam. Para os moradores, quem parte deixa amigos e parentes e continua mantendo fortes vínculos com a cidade. Isso faz com que mesmo tendo uma população de 759 habitantes, Borá possua um colégio eleitoral de 1.089 eleitores. A diferença é atribuída aos ex-moradores que preferiram não transferir seus títulos eleitorais. Provavelmente esta seja a explicação para que em Borá, praticamente também não exista disputa eleitoral: o prefeito atual desistiu de concorrer à reeleição para cumprir acordo feito há quatro anos com seu antecessor Nelson Celestino Teixeira (PMDB), que foi candidato único, obteve 924 votos e se elegeu pela terceira vez para o cargo.

Comentários

Comentários