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Devoção imortaliza o nome de Jesus

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 3 min

Pessoas comuns que ganharam dos pais o nome Jesus se sentem orgulhosas e não se estressam com piadas e brincadeirasNos 33 anos de sua vida, Jesus deixou um rastro de milhões de seguidores, muitos dos quais encarnados em personagens que levam seu nome nos dias de hoje. Carregar essa responsabilidade não é martírio para eles. Os Jesus de hoje são sofredores, choram, se emocionam, enfim, são mortais como qualquer outro. A diferença está apenas no nome, escolhido por pais religiosos fervorosos, que espelham nesses filhos a vida do homem que marcou a história da humanidade.Nem sempre chama-se Jesus aquele que nasce em 25 de dezembro. O comerciário Jesus Carlos Dellarmelinda não nasceu no Natal, mas num dia religioso. Ele veio ao mundo no dia de Corpus Cristi, comemorado em junho, sempre numa quinta-feira. Último filho de uma prole de nove irmãos, Dellarminda conta que o padre que o batizou tentou convencer seus pais a trocarem de nome. Mas a fé deles foi mais forte que a vontade do padre, defende.Casado, pai de dois filhos, sua mulher costuma lhe dizer que de santo ele não tem nada. Ele se diz acostumado com as brincadeiras. Quando estou no trabalho e surge uma situação de dificuldade, o pessoal diz que há um Jesus no meio deles. O comerciário gosta do nome escolhido pelos pais e, até hoje, nunca se viu diante de uma situação constrangedora pelo fato de se chamar Jesus.Jesus políticoEmbora na época de sua existência as ideologias políticas não estavam definidas como nos tempos contemporâneos, um xará de Jesus dos dias de hoje avalia que ele, certamente, pregava um discurso avançado, de militante de esquerda. O eletricitário Jesus Francisco Garcia diz não ter dúvidas de que seu homônimo lutou por justiça social. Se ele vivesse hoje, na virada do milênio, com certeza seria um militante de esquerda. Estaria lutando contra a concentração de renda, contra a exclusão social. Seria um grande companheiro de luta, imagina.Garcia também é vítima de brincadeiras pelo nome que leva, mas arremata as piadinhas com outra tiradas. O pessoal costuma dizer que Jesus voltará. Mas arremato o pensamento completando que nem fui ainda, conta, em tom de brincadeira. O eletricitário, que é militante sindical, costuma pregar que as soluções políticas para os problemas sociais não encontram resolução na religião.Não foi só Jesus de Nazaré que nasceu numa manjedoura. O aposentado Jesus Arena veio ao mundo numa casa de pau a pique, que localizava-se ao lado da estação de Conceição - da antiga Estrada de Ferro Sorocabana -, próxima a Bauru. Seu pai decidiu-se pelo nome depois que o recém-nascido foi cercado por animais. Eu já tinha um tio que chamava-se Jesus. Com meu nascimento, fiquei sendo o segundo da família co o nome.DevoçãoA maioria dos pais que que coloca o nome Jesus em filhos tem, na religião, um respaldo fervoroso. O professor de Teologia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Luiz Henrique Marques, diz que a escolha do nome, nesse caso, ocorre por devoção e promessa. É como se os pais estivessem doando o filho a Deus, depois de apelar e conseguir uma graça alcançada, explica. O professor afirma que hoje os padres não se opõem aos pais que desejam colocar no filho o nome consagrado da Igreja Católica. Para ele, a escolha se dá por pessoas que tiveram experiência de vida calcada em dor e dificuldades.

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