O espetáculo deprimente e revelador das recentes eleições presidenciais realizadas na potência líder do mundo dito 1º e civilizado, se não representou novidade, uma vez que realizado na conformidade das leis desde há muito ali vigentes, realçou diante da opinião pública mundial aspectos das referidas leis ignoradas pela maioria dos habitantes dos demais países, especialmente nos designados como do 3º mundo. Tornou-se, então, agora, sabido que as eleições americanas são indiretas, pois nelas prevalecem os votos do colégio eleitoral. De resto, na ONU, como temos oferecido à consideração pela inteligência dos leitores, de há muito que o sacrossanto - quando há conveniência - princípio da prevalência da maioria, como se ela fosse fonte de verdade tem sido abusivamente desrespeitado, desde quando ali, 5 Estados se arrogaram e em caráter permanente, o que chamam de direito de veto, bastando o veto de um único deles, para que se torne sem efeito qualquer decisão, ainda que adotada por todos os demais membros daquela Organização, que conta hoje com a participação de 214 países. Dentre os quais, cabe ressaltar o fato, não se inclui a Suíça, que sediou a extinga Liga das Nações... Como, aliás, é da maior importância que se sublinhe a circunstância de não serem os atuais 5 privilegiados detentores do suspeitíssimo direito de veto, representantes de uma tendência doutrinária e ideológica comum, porventura considerada mais confiável e compatível com os ideais que devem nortear a Organização das Nações Unidas.Ao contrário, ao se imporem com tal privilégio, eles eram: os EUA, a Inglaterra, a França, a China vermelha e a União Soviética, hoje substituída pela Rússia. Como se vê, do grupo privilegiado fazem parte potências ideologicamente diferentes e, até, opostas, sendo o seu único denominador comum, a posse de ogivas nucleares e respectivos vetores, os esquadrões de bombardeio, as divisões blindadas, versões tecnológicas e modernas da pura e simples e brutal força, em épocas remotas representada apenas por singelos porretes. Vive, pois, a ONU esta é a verdade, sob o império puro e simples da força. E por que será isso assim? A resposta tive-a há pouco, em seminário realizado nas cercanias de S. Paulo, onde foi lido um pensamento do líder religioso Reverendo dr. Sun Mynng Moon. Segundo referido líder a Política, como a Economia e as Finanças ou as ações militares, braços da política, por sua natureza, por sua índole, por não ser do seu âmbito, não possuem a faculdade de gerar a paz. Elas podem gerir conflitos, e controlar-lhes aspectos ostensivos de violência, pelo emprego da coação econômica e, ou, militar. Potencialmente, entretanto, as tendências ao conflito remanescem. De fato, pensando bem, as motivações da economia e da política não estão nelas, onde, ao contrário, os componentes existentes são de índole a criar divergências e dissenções. As motivações para a paz, não estando nelas, devem estar no coração e nos sentimentos dos que as conduzam. E estes só são alcançáveis pela religiosidade, pelo sentimento da eternidade, da existência de um Criador, de Sua Providência e de Sua Sabedoria e Justiça perfeitas.E ponho-me a perguntar: será por defender idéias assim e propor a reforma da ONU em uma organização bi-cameral, em que teriam assento, além de representações apenas políticas dos diferentes Estados, como agora ocorre, também representantes de todas as grandes religiões do mundo, que o único líder religioso que conheço em nosso país, de evidentíssima tolerância para com todos os credos e todas as crenças, mesmo as que confessadamente se propõem a fazer o mal, a ser, como seus seguidores, objeto de implacável e sistemática perseguição, ao arrepio das garantias constitucionais vigentes? (*) Jorge Boaventura home-page: www.jorgeboaventura.jor.br.e-mail: boaventura@jorgeboaventura.jor.br
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