Com 16 anos de atraso, o Big Brother preconizado por George Orwell, em 1984, está mais próximo de vigiar os passos dos cidadãos bauruenses. A proposta de implantar câmeras de vídeo na cidade, aparentemente, não invade somente a intimidade e a imagens das pessoas. Vai além, contrariando os direitos e garantias individuais da nossa Constituição.Não bastasse o controle já exercido pelo Sistema através dos modelos tradicionais, como os registros públicos individuais, cartoriais e afins, propõem vigiar cada passo que você, cidadão livre, der em cada esquina desta cidade sem limites. Sob o manto da falta de segurança pública, a privacidade constitucional será apenas letra morta e ficaremos sob a vigília constante do olho que tudo vê. Garantem os interessados no projeto que com a vigilância através das câmeras, tornar-se-á mais fácil enquadrar os possíveis suspeitos antes que cometam qualquer delito. Já somos todos suspeitos! Hoje em dia, tem câmera filmando em tudo quanto é lado. No banco, no elevador, na sorveteria. Sorria, você está sendo filmado!Além da tímida tentativa da volta da censura, através de alguns setores conservadores nos três poderes, a liberdade individual do cidadão começa a ser espremida entre a insegurança do cotidiano, que embute o medo, ou nos rendermos todos aos guardiões do bem, a mercê de que o Grande Irmão te proteja da violência e do mal. Hoje, filmam e gravam sua intimidade nas ruas e avenidas principais da cidade; logo, estarão gravando o quarteirão de sua casa, ou quem sabe, seu próprio lar, ligado 24 horas por dia (já não o é?) para informar o quanto somos incapazes para resolver os problemas de segurança de outras maneiras que não seja atentando contra os direitos e liberdades fundamentais. (Pedro Romualdo - fotógrafo e presidente do PSB).
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