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DSC faz apreensão de carne clandestina

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

O Departamento de Saúde Coletiva apreendeu 300 quilos de carne e 40 peças de queijo sem procedência legalO Departamento de Saúde Coletiva (DSC) está com um trabalho intensivo de fiscalização visando coibir o comércio de carne clandestina em Bauru. Em menos de um mês, já foram apreendidos 300 quilos do alimento, além de 40 peças de queijo sem procedência legal. O resultado das blitze, que têm como alvo principal os açougues, supermercados, padarias e sorveterias, foi recebido com preocupação pela diretora do Departamento, Maria Helena Abreu. Ela recomendou cautela aos consumidores, que devem ficar atentos na hora da compra a fim de evitar contaminações e conseqüentes problemas de saúde. Antes do trabalho efetivo de fiscalização, o DSC, juntamente com o Serviço de Inspeção Federal (SIF) e o Serviço de Inspeção de São Paulo (Sisp), procurou orientar os comerciantes do setor sobre os riscos da venda clandestina de produtos de origem animal, especialmente no que se refere à sua manipulação e conserva. Na ocasião, foram distribuídos três mil folhetos explicativos. Mesmo assim, vários estabelecimentos foram flagrados posteriormente praticando o comércio ilegal.Todos os produtos apreendidos foram arrolados num termo de inutilização e, na seqüência, incinerados. Os comerciantes receberam autos de infração, com multas diretas em caso de reincidência. O cuidado com a procedência desse tipo de alimento quase nunca é levado em conta pelos consumidores, mas aí vão alguns dados alarmantes que certamente irão mudar as condutas negligentes.De acordo com a DSC, várias doenças contraídas através do consumo de carnes e derivados animais podem levar à morte, como é o caso da cisticercose, mais especificamente da neurocisticercose (verme no cérebro), que provoca crises convulsivas, aumento da pressão cerebral e diversos problemas neurológicos graves. Este ano, 80 casos da doença foram registrados em Bauru, dos quais 6% foram positivos para a neurocisticercose. Na opinião de Maria Helena Abreu, esse número é assustador. Outros males igualmente sérios podem ser adquiridos com a ingestão de alimentos contaminados. Em sorveterias e padarias, onde o leite, queijo e derivados estão constantemente presentes, pode-se contrair, por exemplo, a brucelose e a tuberculose, ambas oferecendo risco de vida. A tuberculose é conhecida por seus efeitos nefastos e longos períodos de tratamento; a brucelose evolui com a queda do quadro geral do paciente, que perde peso e é acometido por depressões, calafrios e febres. A brucelose pode vir acompanhada de outras complicações como inflamação nas juntas, testículos (podendo levar à esterilidade) e coração. A toxoplasmose também está na lista, podendo causar aborto ou má-formação dos fetos no caso de mulheres grávidas, bem como provocar inflamações crônicas nos olhos, cegueira, catarata, problemas hepáticos, cerebrais e cardíacos. Outras bactérias presentes nas fezes animais podem contaminar o homem através do consumo do leite e derivados não pasteurizados ou esterilizados.FiscalizaçõesPor conta da gravidade da situação, Maria Helena Abreu já anunciou a continuidade das fiscalizações no ano que vem. A pretensão é erradicar o comércio ilegal e, por tabela, os eventuais efeitos que ele possa trazer à saúde humana. Enquanto o problema permanece, a recomendação da titular do DSC é para que os consumidores tenham cautela na hora de comprar carne, leite e derivados. A preferência deve ser dada às carnes embaladas a vácuo e devidamente etiquetadas com selos de inspeção. Caso isso não seja possível, o ideal é exigir do estabelecimento a nota fiscal que comprove a origem do produto. Em caso de qualquer suspeita, o melhor é mudar o cardápio.Já os leites e queijos devem estampar os termos pasteurizado ou esterilizado, ou seja, devem estar acondicionados em saquinhos ou caixas longa vida. Àqueles que compram o leite direto do produtor (mais conhecido como leite da fazenda) com a intenção de ingerir um alimento mais saudável, Maria Helena Abreu recomenda a suspensão imediata da prática. Segundo ela, esse tipo de produto é o mais suscetível às contaminações.

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