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Direitos Humanos, naturalmente!

(*) Jorge E. M. Geisel
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A comemoração pelo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, documento votado pela III sessão ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas, a 10 de dezembro de 1948, em Paris, foi o início de uma nova era, de novos tempos voltados à valorização do ser humano e de suas liberdades fundamentais.Agora, ao raiar de um novo século, o entendimento progressivo da Declaração libertária está chegando ao amadurecimento. Hoje, a Ecologia e as novíssimas concepções do que seja o espaço geográfico, grandemente influenciadas pelo eminente professor Milton Santos, prometem eliminar preconceitos e impulsionar uma nova visão global, partindo de ações locais eficazes.Novos sistemas de articulação de interesses serão implementados pelo descortínio cibernético e pela engenharia genética. Os Estados nascidos de mera ficção unitária, sem a compreensão prática das diversidades, estarão à beira do colapso. As exclusões sociais e desrespeitos aos Direitos Humanos, como o autoritarismo e o emprego da força para sufocar a livre manifestação de idéias, as discriminações regionais e o próprio confisco terrorista tributário, não estarão mais a salvo das sanções internacionais, sejam elas políticas, econômicas, financeiras ou até militares.Um novo período histórico já foi iniciado, não com a queda de um muro, mas com a consciência planetária decidida a derrubar as barreiras que impedem a liberdade de autodeterminação dos povos, e a conseqüente valorização do homem e da mulher comuns na perseguição da felicidade. A tendência à implosão dos impérios geográficos artificiais é o grande fato desse fin du siècle. O entendimento de que os seres humanos e todo o resto da natureza estão comprometidos em uma rede complexa de interações, o coroamento da Ecologia - a síntese do maior esforço histórico a favor da própria sobrevivência humana em liberdade.Direitos Humanos e Ecologia são uma realidade viva no mundo globalizado contemporâneo. Sepultarão os estados-nacionais e as mazelas que lhes deram origem, libertarão povos e criarão governos locais e regionais apropriados aos seus espaços geográficos e às suas ânsias de democracia e liberdade.Os homens e mulheres do futuro estão aí presentes, na interligação fatal e maravilhosamente divina de causas e efeitos. Já começamos a nos agasalhar sob o manto dos Direitos Humanos, naturalmente.Jorge E. M. Geisel é advogadojorgegeisel@hotmail.com

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