Secretário da Fazenda já adiantou que a Prefeitura não tem dinheiro para honrar o compromisso com os servidoresBotucatu - Os servidores municipais de Botucatu que estavam esperando a liberação do pagamento do 13º salário para comemorar em grande estilo a entrada de um novo século e milênio terão que adiar a festa e se contentarem com uma celebração bem mais simples. O Secretário da Fazenda, da administração do prefeito Pedro Losi Neto (PSDB), Eugênio Gonçalves, afirmou, ontem, por intermédio da assessoria de imprensa da Prefeitura, que não há dinheiro em caixa para saldar as dívidas, ainda este ano, referentes ao pagamento do 13.º salário dos servidores municipais.O secretário disse que todas as esperanças, para conseguir os recursos necessários para o pagamento do 13º, estavam depositadas na possibilidade do repasse do Fundo de Participação dos Municípios. Porém, para a infelicidade dos servidores, esse recurso financeiro foi retido pela Justiça Federal, provavelmente, em razão de débitos não saldados junto ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).O valor retido pela Justiça estaria em torno de R$ 3,7 milhões. Seria o suficiente para cobrir integralmente a folha de pagamento dos servidores, em torno de R$ 2 milhões.Com a notícia de que não há dinheiro para pagar o 13º salário dos funcionários municipais, a bomba-relógio vai estourar nas mãos do futuro prefeito, o petista Antônio Mário Ielo. A essa dívida irá somar-se outra de proporções idênticas. O pagamento do salário referente a dezembro, que deve ser depositado no início de janeiro, é provável que fique também como herança para o próximo prefeito.Prevendo essa possibilidade, Ielo já adiantou que irá procurar o Tribunal de Contas do Estado para orientar-se quanto aos procedimentos possíveis. O prefeito eleito lamenta que isso tudo esteja acontecendo, porque, segundo ele, os maiores prejudicados são os funcionários.Somando os recursos necessários para o pagamento do 13º, dos salários de janeiro e fevereiro, mais a parcela referente a 1/4 do salário para aqueles que entram em férias, Ielo espera gastar, logo de início, R$ 8 milhões, aproximadamente.Assumi o compromisso de honrar aquilo que me compete. Não posso ficar me preocupando com dívidas que não são minhas. Por isso, vou, antes de qualquer atitude, buscar orientação junto ao Tribunal de Contas para resolver essa situação da melhor maneira possível, comentou Ielo.Sem saídaA Associação dos Trabalhadores e Funcionários da Prefeitura de Botucatu, que representa a categoria no município, não vê outra saída a não ser esperar a posse do próximo prefeito. Sem acreditar na possibilidade de que o problema seja resolvido, ainda este ano, pelo atual prefeito, a presidente da Associação, Sônia Regina Mereu Silva, deixou bem claro que a esperança dos servidores está amparada na promessa de Ielo, em valorizar o trabalho dos servidores municipais.Segundo ela, Losi Neto nunca foi de dar muita atenção às reivindicações da categoria. Nunca fomos ouvidos. Mas agora parece que haverá diálogo com o próximo prefeito. Pelo jeito, ele não é homem de mandar recado, alfinetou Sônia. Ela garantiu ainda que Ielo terá total apoio da categoria na tarefa de reerguer a prestação de serviços municipais.Enquanto isso, os servidores continuam desamparados financeiramente, neste fim de ano. A esperança agora é que, de fato, eles tenham um Feliz Ano Novo. E, se possível, como diz a canção, com muito dinheiro no bolso.
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