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Acidentes de trânsito estão em queda

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar do número ainda alto, os acidentes em Bauru não estão aumentando na mesma proporção dos anos anterioresO número de acidentes de trânsito em Bauru ainda é alto, mas não está aumentando na mesma proporção dos anos anteriores. Em alguns itens, está ocorrendo queda. Neste ano, até novembro, foram registrados 6.258 acidentes, que fizeram 26 vítimas fatais, mas a expectativa da 4.ª Cia. da Polícia Militar, que cuida do trânsito, é fechar 2000 com uma redução no número de acidentes na casa dos 8% em relação a 1999. Dados estatísticos da PM sobre acidentes de trânsito nos últimos sete anos indicam que os motoristas bauruenses estão dirigindo com mais cuidado. Apesar do aumento da frota circulante - em 1995 eram 95 mil veículos e, neste ano são 130 mil -, os números de acidentes, de vítimas leves, de vítimas graves, de vítimas fatais, e atropelamentos, depois de aumentar consideravelmente entre 1994 e 1997, têm se mantido estável nos últimos.Em 1994, foram registrados 4.934 acidentes; em 1995, 5.772 acidentes; em 1996, 6.794 acidentes; em 1997, 7.274 acidentes, ou seja, um aumento de quase mil acidentes a cada ano. A partir de 1998, quando o Código de Trânsito Brasileiro entrou em vigência, ocorreu uma estabilização dos números: em 98 foram registrados 7.252 acidentes; em 1999, 7.432 acidentes e neste ano, até novembro, 6.258 acidentes. No entanto, o número de mortes no trânsito neste ano já é bem maior que o esperado. Até novembro, haviam sido registradas 26 mortes no trânsito na área urbana, uma a mais que em 1994, ano recorde em vítimas fatais nos últimos sete anos, o que está preocupando a PM. O tenente Jorge Luís Dias, comandante do Pelotão de Trânsito da 4.ª Cia., atribui a estabilização dos acidentes de trânsito à vigência do Código de Trânsito, que estabeleceu multas de valores altos e até a cassação do direito de dirigir para as infrações de trânsito. A legislação em vigor até 97 não era tão rígida, disse.A estabilização do número de acidentes neste ano também pode estar ligado à instalação de aparelhos eletrônicos de controle de velocidade - lombadas e radares -, que entraram em funcionamento em maio, e aos programas de educação no trânsito desenvolvidos pela PM e pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Jorge Luís ressaltou que neste ano ocorreram três graves acidentes, com várias vítimas fatais em cada um deles. No início do ano, dois jovens morreram em um acidente na avenida Otávio Pinheiro Brisola. Em setembro, em um dos mais trágicos acidentes ocorridos em Bauru, quatro jovens perderam a vida em uma colisão envolvendo dois carros na avenida Getúlio Vargas. No mês passado, outro grave acidente, numa via de acesso à avenida Elias Miguel Maluf, tirou a vida de mais três jovens. O comandante do Pelotão de Trânsito ressaltou que os três acidentes tiveram muita semelhança entre si: ocorreram à noite, vitimaram pessoas muito jovens - entre 18 e 21 anos - e tiveram indícios de excesso de velocidade.Raphael Hermoso, motorista de um dos carros envolvidos no acidente ocorrido na Getúlio Vargas, foi indiciado por homicídio doloso com dolo eventual. Perícias e investigações concluíram que o veículo onde estavam as vítimas e o carro conduzido pelo jovem participavam de um racha no momento do desastre. O motorista do outro carro morreu.O delegado-titular do 1.º Distrito Policial, Ronaldo Divino, ainda não concluiu o inquérito do acidente ocorrido no acesso à avenida Elias Miguel Maluf. O resultado do laudo da Polícia Técnica ainda não foi divulgado, mas uma testemunha dos fatos disse à polícia que o carro ocupado pelas vítimas estava em alta velocidade. O delegado aguarda para os próximos dias o depoimento da única vítima que sobreviveu ao acidente e que está em recuperação.PM irá usar bafômetro à noiteComo os últimos acidentes de trânsito graves têm características em comuns - ocorreram à noite, envolveram jovens e tiveram indícios de excesso de velocidade -, a Polícia Militar está planejando ações específicas visando coibir os excessos cometidos pelos jovens motoristas. Uma delas é o uso do bafômetro no período noturno, principalmente nos finais de semana.O comandante do Pelotão de Trânsito, tenente Jorge Luís Dias, ressaltou que todos os motoristas que apresentarem sinais de alcoolismo serão conduzidos para a delegacia. Caso o condutor se recuse a fazer o teste do bafômetro, será encaminhado para o teste clínico ou exame de sangue. Se constatada a embriaguez, o motorista será indiciado, responderá inquérito e poderá perder temporariamente o direito de dirigir.Para Jorge Luís, o trânsito no período noturno, em avenidas de grande movimentação, é o que causa maior preocupação à 4.ª Cia. atualmente. Ele ressaltou que até o final do ano passado a PM estava preocupada com o grande número de acidentes, principalmente atropelamentos, que ocorriam na avenida Nações Unidas, muitos com vítimas fatais.Esse tipo de acidente de trânsito caiu significativamente em 2000. Até novembro, havia sido registrada uma morte na Nações Unidas, fruto de um acidente envolvendo uma moto e uma bicicleta, número bem inferior ao de 1999. O comandante do Pelotão de Trânsito também atribui a redução de acidentes na Nações à instalação das lombadas e radares eletrônicos, que fizeram os motoristas reduzirem a velocidade.Mas Jorge Luís admite que muitos motoristas só reduzem a velocidade próximo dos aparelhos eletrônicos, para não serem multados. Ele alerta, no entanto, que a Polícia Militar vem usando o radar móvel justamente para flagar os infratores, que insistem em obedecer a legislação de trânsito apenas nos radares ou quando há um policial por perto.Projetos educativosA 4.ª Cia. da PM atualmente está desenvolvendo quatro projetos educativos na área do trânsito, visando formar motoristas e pedestres mais conscientes. Os projetos são: curso de direção defensiva, teatro de fantoches para crianças, palestras em empresas e programa educação para o trânsito.Em parceria com a Emdurb, também apresenta a Cidade Mirim, onde as crianças podem vivenciar situações do trânsito semelhantes as da cidade. Sobre os resultados desses projetos educativos, o comandante do Pelotão de Trânsito da 4.ª Cia, tenente Jorge Luís Dias, afirmou que já estão surgindo. Ele contou que as pessoas que fizeram o curso de direção defensiva, por exemplo, comentaram que mudaram de comportamento no trânsito. Eles se comprometeram a mudar de comportamento no trânsito ao final do curso. Infelizmente, o que ainda observamos na rua é que o motorista tem medo de ser autuado. Nos locais onde não há aparelho eletrônico e nem policial, ele abusa, disse. Em 2001, a 4.ª Cia estará levando o curso de direção defensiva para as empresas que atuam na área de transporte.

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