A vida do vice-prefeito eleito Dudu Ranieri (PFL) é norteada por dois ídolos. Nas relações familiares e na profissão de educador, ele se espelha no pai, o professor José Ranieri. Na carreira política, figura Jânio Quadros. Do primeiro, Dudu guarda discursos e lições sobre o magistério e administração escolar. Do segundo, histórias pitorescas, frases mirabolantes e a lembrança do dia em que o ex-presidente veio a Bauru para ser patrono de turma do Liceu Noroeste, escola que o pefelista dirige desde os 19 anos, mas isto é outra história.Jânio Quadros tornou-se amigo de Dudu Ranieri na campanha eleitoral de 1982. Na época, Jânio era candidato a governador de São Paulo sob o número 4, enquanto Dudu tentava ser prefeito sob a inscrição 45. O panfleto dos dois, então petebistas, abraçados, é guardado até hoje pelo pefelista. Lembrança da época em que o voto era vinculado e em que os discursos em palanques eram mais apreciados.Jânio era muito inteligente e culto, além de extremamente espirituoso. Conversava sobre tudo e gostava de fazer colocações engraçadas. Não havia quem não parasse para ouvi-lo, garante o vice-prefeito eleito.Por causa de todos esses predicados ainda frescos na memória, Dudu resolveu convidar o ex-presidente para ser patrono da turma de 1984 do Liceu Noroeste. Jânio aceitou de imediato e até a formatura o convite virou uma dor de cabeça tremenda. Nos últimos dias, ele já não tinha mais certeza se vinha. Cada hora ligava para falar uma coisa. Até que uma hora e meia antes da formatura, ele ligou: pede para alguém me pegar no aeroporto, que eu vou. Veio de avião particular, de Guarujá, e seguiu direto para o Tênis. Valeu esperar, relembra.Naquele dia, Jânio fez um discurso de duas horas. Apesar da turma ser formada por irrequietos adolescentes de 17 anos, Dudu sustenta que todos pararam para ouvir o ex-presidente. Ninguém deu um pio. Foi uma lição, admira-se.ArquivoVerdadeiro ou não, o silêncio juvenil é uma das histórias que fazem parte do arquivo de memórias de Dudu Ranieri. E não são poucas. O vice-prefeito, como todo bom educador, sabe relatar as coisas, como os dias em que passava assistindo aos discursos proferidos nas esquinas da rua Rio Branco com avenida Rodrigues Alves, point de políticos nos idos da década de 50. Aprendi muita coisa ali, conta.No terreno político, Dudu diz também ter recebido lições de Euflávio de Carvalho, vice-prefeito de Alcides Franciscato. Por meio dele, o hoje pefelista descobriu como fazer campanhas políticas, chegar ao eleitorado e usar a linguagem adequada a cada público.Ao longo da carreira política, Dudu acredita ter ficado amadurecido e comedido. Apesar disso, não escapou da pecha que os próprios coordenadores da campanha da coligação PPS-PFL lhe atribuíram: xerife. No começo, não ligou, mas depois viu que se tratava de uma grande besteira e pediu para deixarem de utilizar a tal definição. Sou aquele que realmente defende meus parceiros políticos, mas xerife era demais, assume.Acreditando ser um político nato, daqueles que encaram com desenvoltura um microfone durante o comício, Dudu não é de ter papas nas línguas para criticar ou comentar sobre um fato ou alguém. É assim quando se refere à vontade de servir para buscar recursos federais para o Município - acredito que posso ser útil - ou para se candidatar a interlocutor entre a Prefeitura e a Câmara Municipal - se não eleger o Walter Costa, penso que posso trabalhar para garantir a união da bancada ao longo da administração -.Para Dudu Ranieri, o trabalho de interlocução requer jogo de cintura e sabedoria de adulador. Vereador é igual artista. A gente sempre precisa passar a mão, dar agradinhos, senão briga, define. O pefelista só não tem tanta convicção sobre participar ativamente da administração. Sou expectativa de direito. Vou ajudar se o prefeito quiser. Se não, não faço nada, conclui, plagiando frase de Jânio Quadros.RadiografiaNome: José Augusto Vieira Dudu RanieriIdade: 59 anosProfissão: professor e advogadoPartido: PFLEstado civil: casado, quatro filhos e uma netaEscolaridade: universitáriaReligião: católicaSonho político: não temSonho de consumo: cervejaLivro de cabeceira: BíbliaTrilha sonora: Tema de LaraFilme: A um passo da eternidade e Dr. JivagoÍdolo: meu pai
escolha sua cidade
Bauru
escolha outra cidade