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Censo revela altos e baixos da região

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 5 min

Algumas cidades pequenas apresentaram taxas negativas de crescimento. As demais tiveram um aumento discretoO crescimento das cidades da região de Bauru, na década de 90, aponta para a consolidação de uma expansão lenta, porém constante. É o que demonstra os dados preliminares do Censo 2000, divulgados no último dia 22 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento revela ainda que as cidades que sofreram queda no número de habitantes foram exatamente as que possuem uma limitação maior em oferecer alternativas de educação e emprego aos seus moradores.Praticamente, todas as cidades da região de Bauru apresentaram um aumento em sua população, em comparação ao levantamento realizado em 1996. Na maior parte dos casos, esse aumento ficou em torno de 1% e 2% anuais.A cidade que registrou o maior crescimento populacional, na região, nos últimos quatro anos, foi Espírito Santo do Turvo (a 70 km de Bauru), cuja população passou de 3.108 para 3.677 habitantes, seguindo uma taxa média anual de crescimento de 4,29%. O prefeito João Adirson Pacheco (PSDB) 35 anos, considera a instalação de uma usina de álcool como uma das responsáveis pela expansão populacional do município. Ele, que se surpreendeu com o aumento, destaca o desafio social que esse crescimento representa. Eu estaria mais feliz se essa evolução fosse em relação à qualidade de vida da população, frisou Pacheco.Em segundo lugar vem a cidade de Itaju (a 56 km de Bauru), cuja população saltou de 2.268 habitantes, em 1996, para 2.639 moradores, em 2000, um aumento médio anual de 3,86%, segundo números do Censo 2000, divulgados pelo IBGE.O município que sofreu a maior redução no número de habitantes foi Balbinos (a 78 km de Bauru). De 1996 para 2000, a cidade perdeu 75 moradores, cuja proporção significa uma queda anual de 1,38%. Balbinos tem hoje, segundo o Censo, 1.313 pessoas, o que a credencia como a menor cidade da região de Bauru. A menor cidade do Estado, de acordo com o censo 2000, é Borá, com 795 habitantes. Outro município que teve queda significativa em sua população foi a cidade de Reginópolis, que faz divisa com Balbinos. A cidade encolheu num ritmo de 0,99% ao ano, desde 96.Homens e mulheresO levantamento sobre o perfil da população brasileira mostra que está faltando homens no Brasil. De acordo com os dados preliminares do Censo 2000, existem hoje no País 96,87 homens para cada 100 mulheres. Pelos dados do IBGE, a concentração da classe masculina se dá principalmente nas áreas rurais. Talvez, por isso, explica-se o fato de que nas cidades da região o predomínio continua sendo dos homens. As mulheres são maioria apenas nos municípios com mais de 30 mil habitantes, as exceções ficam com Bocaina, Duartina e Vera Cruz. São três cidades pequenas onde o Clube da Luluzinha reina absoluto. Do outro lado, também há exceções. Pederneiras com 36 mil habitantes e Lençóis Paulista com 55 mil, continuam sendo dominadas pelos homens.A explicação do IBGE para a concentração maior de homens em áreas rurais leva em consideração a própria natureza do trabalho rural, que exige maior força física, enquanto as mulheres podem migrar para as cidades, trabalhando na prestação de serviços, mais típica de áreas urbanas.O município onde há, proporcionalmente, mais mulheres, na região de Bauru, é Botucatu. De acordo com o Censo, 51,24% da população são mulheres. Em números absolutos, isso significa que a cidade tem 2.684 mulheres a mais do que homens. O oposto é registrado em Pirajuí, onde 53,46% dos moradores pertencem ao sexo masculino. Ou seja, 1.384 homens estão sobrando na cidade.Uma surpresa trazida pelos resultados preliminares do Censo 2000 foi o número de residentes na zona rural, em Fernão (a 50 km de Bauru). É o único município da região onde a população rural supera a urbana. Segundo o levantamento, das 1.430 pessoas que residem em Fernão 52,8% são da zona rural. Além desse dado, outro que também surpreende é a constatação de que 94% da população de Fernão seriam eleitores. Relatório recentemente divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral mostra que a cidade possui 1.344 eleitores. No entanto, o Censo 2000 revela que a população, curiosamente, não passa de 1.430 pessoas.Censo é o mais completo até hojeO Censo 2000, o maior e mais completo já realizado no Brasil, custou R$ 700 milhões aos cofres do Governo Federal. A maior parte dos gastos foi destinada ao pagamento dos salários das 230 mil pessoas contratadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como recenseadores, que trabalharam entre agosto e novembro.Para fazer o levantamento da população, o IBGE dividiu o País em mais de 215 mil regiões. Cada uma delas ficou sob a responsabilidade de um recenseador. Foram produzidos 5.507 mapas e criados 6.823 postos para coletar os formulários. Mais de 54 mil residências foram visitadas pelos funcionários do IBGE. Segundo o instituto, foram contadas até mesmo as pessoas que vivem embaixo de viadutos e pontes, nos grandes centros urbanos, que foram consideradas residências fixas.De acordo com o IBGE, os dados coletados este ano são muito mais precisos que os de censos anteriores. O motivo seria o uso de novas tecnologias e técnicas de gerenciamento, que possibilitaram a elaboração de mapas detalhados de todos os 5.507 municípios brasileiros.O IBGE só concluirá a divulgação total dos dados obtidos com o Censo 2000 dentro de dois anos. Durante esse período, serão anunciados os dados da população por faixa etária e o perfil socioeconômico, que inclui escolaridade, renda e habitação.

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