Fabiana Harumi Sujimori é natural de Campinas e, nas Paraolimpíadas de Sydney, disputadas logo após as Olimpíadas, venceu a prova dos 50 metros livres femininos, na categoria S11, para deficientes visuais, com o tempo de 33s51. Após a vitória, se tornou não só a única nadadora de ouro do Brasil em Sydney (na Paraolimpíada e na Olimpíada), mas também um exemplo de como a força de vontade é capaz de superar qualquer barreira. Ela esteve em Bauru, no começo de dezembro, para ser a madrinha de 13 deficientes visuais que se formaram em um curso de informática promovido Senai em parceria com o Banco Ford e a Disbauto. Antes do evento, conversou com o JC sobre a Paraolimpíada e sua vida nas piscinas.Jornal da Cidade - Quando você começou a nadar?Fabiana Harumi Sujimori - Quando era pequena ainda, tinha uns três anos. Minha mãe queria que a gente aprendesse a nadar para poder se virar numa piscina. Mas não lembro muito de como foi começar a nadar mesmo, era muito pequena. Mas para mim nunca foi difícil.JC - Quando você começou a competir?Fabiana - Os clubes da minha cidade começaram a fazer competições e também tinha o Projeto Nadar da prefeitura. Comecei a competir e gostei. Não parei de competir desde então. JC - Essa foi a sua segunda Paraolimpíada, como você se saiu em Atlanta? Fabiana - Fiquei com dois sextos lugares e dois sétimos. Em Sydney ganhei os 50m livres e fiquei em quinto lugar nos 100m livres JC - Qual foi a diferença entre Atlanta e Sydney. Você não estava bem preparada da primeira vez?Fabiana - Em Atlanta eu fui meio de surpresa. Fiquei sabendo apenas um mês antes que eu iria. Não tinha treinado como deveria. Para Sydney deu certo porque me avisaram com três meses de antecedência. Deu para treinar direito.JC - Como era o clima na Vila Olímpica?Fabiana - Era gostoso, a gente ficou junto o tempo todo, passeando.JC - O que mudou para você depois de se tornar uma campeã da Paraolimpíada? Fabiana - Agora as pessoas me reconhecem mais, antes não tinha muito reconhecimento. JC - Você tem planos de continuar competindo sempre?Fabiana - Tenho uma competição na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, que é o Pan Americano e esse é o meu próximo objetivo. Para cada competição a gente tem um treinamento específico, a gente não tem um treinamento próprio para 4 anos. Se tiver um Pan, treino para ele, depois, para outras competições JC - Você tem um técnico particular?Fabiana - Eu treino no Tênis Clube em Campinas. Treino com o pessoal normal, com a turminha de lá, sempre fiz isso. Para Sydney fiz um treinamento específico com um técnico próprio. JC - E fora a natação, quais são suas outras atividades?Fabiana - Estudo. Faço o curso de Relações Públicas, estou no segundo ano. Também saiu com meus amigos, levo uma vida normal. Também toco piano, flauta e danço desde de pequena, mas ultimamente não tenho me dedicado muito a isso.JC - Você se sente especial por ser uma pessoa com deficiência visual que supera barreiras e mostra que é muito capaz de se virar sozinha? Fabiana - Para mim é normal porque eu nado desde de pequena. Para as pessoas que estão me vendo do lado de fora, acho que serve como exemplo para elas saberem que a gente é capaz de fazer tanto quanto elas. JC - O que você diria para as pessoas que não fazem o que gostariam porque acham que são incapazes?Fabiana - Se elas têm algum objetivo na vida, alguma coisa que elas querem, elas devem correr atrás, senão não chegam a lugar nenhum.
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