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A pobreza das nações: o maior desafio do próximo milênio

( * ) Carlos Roberto Sette
| Tempo de leitura: 3 min

Ao transcendermos a visão míope de necessidade do mercado e considerarmos as necessidades da sociedade, não há como não enxergarmos o que falta a bilhões de pessoas do planeta.Oscar MotomuraEstamos às portas de um novo milênio. Um século que será extraordinário, mas que nos leva a refletir sobre algumas questões ainda não resolvidas e que preocupam toda a humanidade.Será um tempo maravilhoso, porque algumas previsões de consenso se farão acontecer: as pessoas viverão mais e o apoio à tecnologia vai permitir que elas tenham mais tempo para si, para se educarem, para se divertirem, para registrarem o seu lado mais humano. prestaremos serviço em estações de trabalho, em casa ou no escritório, trabalhando para nós mesmos ou para uma empresa que tenha sede do outro lado do mundo. A tecnologia vai nos permitir fazer reuniões sem sair da nossa mesa de trabalho. a atitude empreendedora continuará se desenvolvendo cada vez melhor e o trabalhador poderá colocar cada vez mais criatividade no seu trabalho. Através de um comando de voz, operaremos a televisão, o telefone, a geladeira, que vão estar ligados em rede.Se por um lado o mundo evoluirá velozmente em direção a um desenvolvimento científico e tecnológico, agregando valor ao ser humano, por outro lado surge uma grande questão que é levantada nesse final de século e que preocupa toda a humanidade: a pobreza dos povos.Nunca se produziu tanto e nunca se teve tantos meios para multiplicar os bens como nos dias de hoje, mas, paradoxalmente, nunca se teve tanta pobreza.O relatório do Banco Mundial de setembro/2000 sobre o assunto, revela que quase metade da humanidade - 2,8 bilhões de pessoas - é classificada como miserável: essas pessoas ganham menos de US$ 2,00 por dia. Dentre essas, 1,2 bilhão ganham menos de US$ 1,00 por dia. Vivem em condições de miséria absoluta.No Brasil, segundo dados do Ipea, 38,4% da população vive em estado de pobreza e em Bauru, segundo a mesma fonte, 26,4% vivem abaixo dessa linha.O relatório do Banco Mundial aponta para três direções: Há um crescimento econômico sem redução da pobreza; há um crescimento econômico sem correspondente distribuição de renda; há necessidade de se desenhar uma política para que os benefícios do crescimento atinja a camada mais pobre - fazendo com que os ganhos dos mais humildes aumentem mais velozmente que a média e isso é mais do que um desafio de ordem técnica. É acima de tudo uma questão de relação de poder.O aumento da pobreza, sem dúvida, está relacionado a fatores de ordem política e econômica. As crises financeiras dos anos 90 explicam apenas parte do fracasso. A maior parte das dificuldades, porém, é de outra natureza. A pobreza, segundo o Banco Mundial, está associada a múltiplas carências e algumas linhas de ação podem ser propostas: 1 - Promover oportunidades. Isso inclui a criação de empregos, oferta de financiamento, construção de estradas e de meios de comunicação, investimento em educação e saúde, programas de apoio a microempreendimento2 - Fortalecer as pessoas. Engloba a criação de condições materiais, como acesso à oportunidade de mercado, como estimular e facilitar a participação dos pobres nas decisões de interesse coletivo e remoção das barreiras étnicas, abrindo oportunidade de educação e de trabalho a minoria raciais e as mulheres.3 - Aumentar a segurança. Pobres são mais vulneráveis a desastres de todos os tipos: sofrem com inundações, secas e terremotos, porque suas condições de moradia são piores; são mais sujeitos a adoecer, quando há epidemias; são mais duramente afetados quando ocorrem crises financeiras, como as dos últimos anos, ou quando há surtos de inflação ou escassez de emprego.A pobreza das Nações é o maior desafio do próximo milênio. Torna-se uma questão fundamental para a sobrevivência dos povos, especialmente quando a miséria vive ao lado da riqueza,Feliz milênio novo!(*) Carlos Roberto Sette é economista, diretor da CRS Consultores, mestrando na área da Ciência da Informação e do Conhecimento.

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