As dificuldades enfrentadas pelo País em 2000, provocadas, principalmente, pelas crises internacionais, são ressaltadas pelos economistas que, apesar delas, acreditam que a economia se comportou bem, dando sinais de consistência.Wagner Ismanhoto destaca que o 2000 foi um ano bom, principalmente no segundo semestre, quando indústria e comércio tiveram bom desempenho. Ele cita, por exemplo, o caso das indústrias de calçados, que incrementaram suas exportações.Apesar disso, ele diz que o bom resultado da segunda metade do ano não compensa o fraco desempenho da economia, como um todo, nos primeiros seis meses.O economista José Almodova disse que o mundo teve um período atribulado em 2000, o que acabou refletindo na economia brasileira. Para ele, dentro do cenário da economia globalizada, o crescimento do PIB obtido pelo Brasil foi razoável, mas abaixo do que seria necessário.Said Yusuf afirma que, apesar das turbulências na área internacional que influenciaram o Brasil em 2000, principalmente com relação à instabilidade no preço do petróleo, que tem bastante peso, as ações tomadas pelo governo, apesar de tímidas, conseguiram abafar, de certa forma, o impacto que essas variações provocaram na economia.Ele diz que o crescimento da economia do País pode ser considerado pequeno. O PIB não pode continuar crescendo nesse baixo percentual, para que possam ser resolvidas as distorções sociais existentes no Brasil, afirmou. Reinaldo Cafeo, delegado do Corecon, destaca que, em 2000, a inflação foi pressionada pela necessidade de geração de superávites no setor público, notadamente na conta petróleo, que passou o ano à mercê do comportamento dos preços internacionais.Para ele, o País está se consolidando no combate efetivo da inflação. As perspectivas para 2001 são positivas nesse aspecto. Cafeo diz que, se do lado da inflação a equipe econômica pode ter uma avaliação positiva, o mesmo não ocorre nas questões sociais. Vem sempre a alegação de que `não se faz omelete sem quebrar os ovos, mas essa justificativa já não é mais aceita, disse.O delegado do Corecon afirma que, não obstante o Brasil ter conseguido controlar a inflação e ter observado crises externas e internas, a distribuição da renda no País continua sofrível. A inflação, que era a grande desculpa para que houvesse concentração da renda, não pode ser mais utilizada para justificar a ausência de avanços nesse setor. A política tributária no País é equivocada, tributando mais quem ganha pouco e abrindo brechas legais para se tributar, proporcionalmente menos, quem ganha mais.De acordo com Cafeo, em 2000 ainda se ficou distante de atingir essa meta econômica, e, o que é pior, apertando ainda mais a renda da classe média, com aumentos de impostos, não corrigindo a tabela progressiva do Imposto de Renda e ainda não implementando uma política clara de recomposição salarial.Para Cafeo, o ponto positivo foi que finalmente o País voltou a crescer de forma mais consistente e, puxado pelo setor industrial, deve fechar o ano com crescimento na casa dos 4%, índice muito distante do necessário para recuperar o fraco desempenho dos últimos anos, contudo, podemos considerar que estamos dando um primeiro passo.
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