Definido o novo comando da Câmara, as atenções se voltam para o líder do prefeito; Edmundo e Faria são cotados
Terminada a eleição para a presidência da Câmara Municipal, lideranças do PPS e do PFL debatem-se agora para encontrar o candidato ideal para ser o líder do prefeito Nilson Costa no Legislativo. O cargo não deve ser ocupado por nenhum dos vereadores dos dois partidos, mas por um parlamentar estrangeiro. Os nomes mais cotados para a função são Edmundo Albuquerque (PSDB) e Faria Neto (PDT).
O prefeito Nilson Costa nega que esteja, atualmente, avaliando nomes para ocupar o cargo. A indicação será feita apenas no final do recesso parlamentar, garante. Mesmo assim, não se furtou de comentar o que acha da possibilidade de Edmundo ou Faria vir a ser seu líder na Câmara Municipal. Todos os dois são pessoas de alto gabarito e ficaria honrado em ter qualquer um deles exercendo a função, afirma.
Para Nilson Costa, o líder deve ter como predicados ser um orador que domine a palavra; tenha amor à causa do Município; seja capaz de negociar e dialogar; e seja determinado e hábil para marcar posições. Porque o Executivo não pode passar a idéia de que está impondo algo, mas propondo como o melhor para Bauru, explica.
Na opinião de lideranças do PPS e do PFL, tanto Edmundo quanto Faria se enquadram no perfil traçado pelo prefeito. Os dois têm experiência política e traquejo. Sobre o tucano, pesa o fato de ser bem relacionado com os demais vereadores. Já o pedetista, em razão da eleição de Walter Costa, provou, na opinião desses líderes, ser capaz de fazer articulações bem amarradas, além de ser valente nas posturas assumidas.
A preocupação das líderanças é que o vereador escolhido realmente seja capaz de costurar projetos de interesse de Nilson Costa na Câmara Municipal. Para tanto, o candidato precisa ser alguém que tenha o respeito dos demais colegas, para garantir a adesão dos parlamentares a propostas do Executivo.
A indicação de Faria Neto encontra como obstáculo o PDT. A avaliação dos líderes é que o pedetista, ao defender o prefeito, pode se atrapalhar no partido, comprometendo seu futuro político. Outros apontam que o próprio vereador pode não aceitar o convite, o que ele mesmo admite. Não aceito ser líder de Nilson Costa porque não sou da bancada dele, justifica Faria Neto.
Apesar de ser favorável à harmonia entre o Executivo e Legislativo, o pedetista lembra que firmou posição no sentido de ser independente. Fico lisonjeado e feliz por terem me apontado como um vereador que tem o gabarito para ser o líder do prefeito da Câmara, mas não posso desempenhar a função. Além disso, nem recebi o convite ainda, comenta.
No caso de Edmundo Albuquerque, sua indicação depende de articulações entre o PPS, PFL e PSDB. Por essa razão, também, Nilson Costa esteja segurando até o término do recesso parlamentar as exonerações dos escalões, nem tanto pelos nomes, mas pelas siglas partidárias.
Se não houver a coalizão entre os três partidos, a solução talvez possa ser o vereador passar a integrar o PPS, o que ainda é algo distante. Edmundo Albuquerque afirma que não comenta especulações. Não estou sabendo de nada e não tenho idéia do que estão falando. Por isso, prefiro aguardar os acontecimentos, desconversa.
Outro ponto que atrasa a indicação é a preocupação das lideranças dos dois partidos em garantir que o líder do prefeito na Câmara Municipal seja um vereador que não ofusque a imagem de Nilson Costa, seja de maneira negativa ou positiva, noa sentidos de atrapalhar o prefeito ou de de realizar um trabalho tão brilhante que culmine numa indicação natural para disputar uma futura eleição para a Prefeitura.
Episódio da eleição tira novatos do páreo
As lideranças do PPS e do PFL são contrárias à indicação de vereadores novatos para desempenhar a função de líder do prefeito na Câmara Municipal em razão da ausência de experiência legislativa.
A inexperiência, opinam, pode culminar na adoção de posições afoitas, que nem sempre podem ser o melhor para o Executivo. Além disso, um parlamentar experiente passa melhor a idéia de equilíbrio, além de ter o respeito imediato dos colegas, o que um novato pode levar semanas ou meses para conquistar.
No caso do PPS, José Clemente Rezende e Milton Dota Júnior são tidos como candidatos descartados em razão do episódio da eleição da presidência, durante o qual defenderam a candidatura do adversário e não do partido, o vereador Walter Costa.
A não adesão de Clemente e Dota à candidatura de Costa, embora seja um caso reversível a médio prazo, desgastou a imagem dos dois vereadores perante as lideranças, gerando desconfiança.
Entre os dois, Dota era apontado com o candidato entre os novatos com mais chances de desempenhar a função. Seus posicionamentos em relação à eleição enterraram suas chances. Líderes que antes o defendiam para o cargo deixaram de fazê-lo temendo desagradar Walter Costa.