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Cheques sem fundo crescem 15,23%

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

SPC aponta que número de consultas realizadas em dezembro pelos lojistas este ano foi 16% menor que em 99

Um levantamento feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), neste início de ano, mostra que o número de cheques sem fundo recebidos pelo comércio de Bauru foi 15,23% maior em dezembro de 2000 em relação ao mesmo período de 1999.

O número de ocorrências registradas em dezembro passado, referentes a pagamentos efetuados em cheque, foi de 1.195. Em dezembro de 1999, o número de nomes registrados foi de 1.013.

Vale lembrar que os dados não se referem ao número de pessoas, mas à quantidade de ocorrências registradas, já que um mesmo cliente pode ter entrado no cadastro do SPC mais de uma vez. É o caso de compras realizadas em lojas diferentes, por exemplo.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, esses dados mostram que os bancos estão cada vez mais oferecendo facilidades a clientes interessados em abrir conta corrente, além de retratar também a ausência de um planejamento orçamentário nas famílias. Os bancos não estão sendo tão rigorosos e, muitas vezes, relevam uma análise mais apurada da capacidade efetiva de pagamento de seus clientes. As facilidades oferecidas levam as pessoas a efetuar mais pagamentos com cheque, não podendo honrar seus compromissos mais tarde, analisa Cafeo.

O levantamento realizado pelo SPC indica também que o número de consultas realizadas pelos lojistas foi 16,82% menor em dezembro do ano passado em relação ao mesmo período de 1999. Foram 78.997 consultas em dezembro de 1999, contra 67.620 em dezembro de 2000.

As consultas são feitas por empresários ou comerciantes para verificar se o cliente tem seu nome registrado no SPC.

Segundo Reinaldo Cafeo, esses números podem estar relacionados a outros fatores que comprometem o termômetro do SPC. Temos que considerar que muitos lojistas não utilizam mais o Serviço de Proteção ao Crédito de Bauru como consulta. Muitos dados estão indo diretamente para São Paulo, para o SCPC. Uma parte da base de dados se perdeu. Outro aspecto é o das estruturas das empresas. Hoje, as empresas têm estruturas maiores, com um cadastro próprio, e não recorrem mais ao SPC, diz Cafeo.

Os pagamentos realizados em prazos menores também fazem com que a consulta ao SPC não seja necessária. Isso ocorre quando o pagamento é efetuado à vista - em dinheiro ou por cartão de crédito. Boa parte dos clientes não usa o crediário para a compra.

Quanto aos cancelamentos, os dados levantados não são positivos. O volume de cancelamento em dezembro de 2000 foi 31,48% menor em relação ao mesmo mês de 99. Isso indica que uma quantidade menor de pessoas acertou seus pagamentos. Portanto, seus nomes permanecem nas listas do SPC.

Em relação a novembro de 2000, o mês de dezembro teve um aumento de consultas ao SPC de 36,81%. Em novembro, os lojistas realizaram 49.423 consultas. Segundo Cafeo, esse é um resultado esperado já que o aquecimento das vendas é uma característica peculiar do mês de dezembro; a quantidade de consultas aumenta de acordo com a quantidade de vendas.

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