Mais um ano termina. O final de um ciclo é sempre uma época de avaliações. O início de um novo ano é sempre marcado pela expectativa. Logo, nesta época de balanços em todas as áreas, especialmente a pessoal, para cada um de nós, este artigo tem a finalidade de não nos deixar esquecer alguns momentos do ano que passou, sejam bons ou ruins, mas que fizeram parte deste ciclo que se encerra. Momentos que não devemos esquecer.
2000 foi, para a Ciência, um ano especial. O homem decifrou o genoma, um conjunto de genes que forma o DNA. Com isto, cada um de nós pode, através da busca em informações de caráter hereditário, chegar a antecipar o aparecimento de doenças, o que ajuda demasiadamente o tratamento. O mais interessante: esta descoberta foi realizada por cientistas de mais de 18 países em valorosa cooperação. O anúncio dos progressos científicos foi realizado em conjunto pelo presidente americano Bill Clinton e pelo primeiro-ministro inglês Tony Blair em junho.
2000 foi ano de Olimpíadas, a maior festa do esporte mundial. Apesar de a participação do Brasil ter sido aquém do esperado, especialmente marcada pelo problema com o cavalo Baloubet de Rouet, montado pelo exímio cavaleiro Rodrigo Pesssoa, vivemos momentos de extrema felicidade no esporte brasileiro. Fomos brindados com a primeira vitória de Rubens Barrichello na Fórmula 1 em uma corrida espetacular na Alemanha, e com a emoção de acompanhar o catarinense Gustavo Kuerten, o maior tenista brasileiro da história, vencer dois grandes nomes do tênis mundial, Pete Sampras e André Agassi, no Masters Cup, em Lisboa, e ser coroado como o melhor tenista do ano.
2000 foi também um ano de uma tragédia que deve servir de lição para todos os governos, especialmente para aqueles que ainda mantém vivas algumas tristes práticas, resquícios dos regimes autoritários socialistas e comunistas. 118 pessoas, tripulantes do submarino russo Kursk, morreram no Mar de Barents depois de um acidente. O governo russo tentou esconder o acontecimento, rejeitando a ajuda internacional com medo de ferir o orgulho nacional. Um triste episódio que não deve se repetir.
2000 foi um ano em que, felizmente, caíram mais alguns regimes autoritários no mundo. A queda do ditador iugoslavo Slobodan Milosevic, que ocorreu mediante eleições, foi a reconquista democrática mais importante do ano. Agora, o novo presidente, Vojislav Kostunica, juntamente com um parlamento também recém-eleito, tem a difícil tarefa de reconstruir a Iugoslávia, abalada pelos atos discricionários de Milosevic. Além dele, o mundo comemorou a queda do regime autoritário de Alberto Fujimori, no Peru, depois de eleições, no mínimo duvidosas. Milosevic e Fujimori estão soltos. Um vive em Belgrado e o outro no Japão.
2000 foi marcado nos Estados Unidos por dois fatos que estão intimamente ligados: a história do menino refugiado cubano Elián Gonzalez e a disputada eleição presidencial que deu a vitória ao republicano George W. Bush. A decisão de enviar Elián de volta para a Cuba foi fundamental para que vários dissidentes do regime totalitário de Fidel que moram na Flórida depositassem seus votos para o candidato republicano. Bush ganhou os 25 votos da Flórida no colégio eleitoral e se tornará o 43.º presidente da história dos EUA.
2001 pode ser um grande ano. Espera-se que os ensinamentos deste último sejam aplicados. Existe muito a ser realizado. O mundo espera algum tipo de solução para os conflitos que, a cada dia, se agravam no Oriente Médio. Espera-se a queda de regimes autoritários, anti-democráticos, como o de Fidel Castro, em Cuba, e o de Kim Jong-il, na Coréia do Norte. Mais do que isso, espero que a liberdade, em seu sentido mais amplo, se espalhe pelo mundo. Liberdades pessoais, com a consolidação da democracia e liberdade econômica para as empresas e os países, para que assim possam cada vez mais avançar em suas trocas comerciais, gerando empregos, desenvolvimento e bem estar social. 2001 pode ser o primeiro passo para a construção de um novo milênio calcado nos valores da liberdade.
(*) Márcio Chalegre Coimbra é advogado