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Bombeiros resgatam rapaz na rede de esgoto no M. Dota

Redação
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Integrantes do Corpo de Bombeiros de Bauru retiraram ontem da rede de esgoto G.L.S., 28 anos, cujo nome está sendo preservado para não expô-lo ainda mais. Portador do vírus da aids, ele tentou se matar entrando na rede de esgoto e lá permanecendo por cerca de 24 horas.

Ontem, por volta do meio-dia, uma moradora da rua 59 do Núcleo Mary Dota ouviu ele pedindo socorro. Ele gritava por socorro. Dizia que ia se matar e pedia para que ninguém se aproximasse, pois tinha o vírus da aids, contou a moradora, que pediu para não ter seu nome divulgado.

A mulher se sensibilizou e acionou um policial que mora nas imediações. Foi ele quem acionou os bombeiros, disse. A equipe do Corpo de Bombeiros percebeu que só através do diálogo conseguiria retirar o homem da rede de esgoto, uma vez que ele já havia percorrido mais de 200 metros dentro da tubulação.

Molhado e bastante debilitado, G.L.S. saiu da rede de esgoto e contou que estava decepcionado com a vida. Sua mulher o trocara por outro homem e ele estava doente, por isso tentara a morte. Ele estava na rede de esgoto desde a meia-noite de quarta-feira.

O homem foi encaminhado ao Pronto-Socorro Municipal para que fosse tratado. Ele sentia dor no peito e nas costas e estava com ferimentos sujos, necessitando de uma assepsia. O psicólogo Ricardo Mokdici disse que, apesar dos bons resultados dos tratamentos, a notícia de que se é portador do vírus da aids, num primeiro momento, ainda desestabiliza a maioria das pessoas, como deve ter ocorrido com G.L.S.

Ele ressaltou que o estado de HIV positivo, assim como outra doença grave qualquer, costuma induzir a pessoa a repensar a sua vida e, às vezes, a achar que não tem outra solução. Ele deve ter se sentido rejeitado, abandonado, vitimizado pela sociedade, mas no fundo, ele já devia estar sentindo isso. A traição, no caso, deve apenas ter desencadeado a revolta, disse.

A orientação do psicólogo para as pessoas que eventualmente estejam passando por crises emocionais é que procurem força dentro de si e, se acharem necessário, a ajuda de profissionais capacitados. A saída é acreditar em si mesmo. Descobrir o que a levou àquela situação. Querer tirar a vida não vai resolver, explicou.

Mokdici lembrou que estatísticas apontam que 80% das doenças têm motivação emocional. As pessoas que se aceitam, que lutam e que transformam conseguem dar a volta por cima da crise. Normalmente, depois, elas passam a encarar a vida de outra forma, valorizando-a mais, frisou.

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