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Esposas de vereadores são coadjuvantes

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 5 min

Atuar nas campanhas eleitorais, ouvir desabafos e dar conselhos são tarefas que elas encaram para ajudar os maridos

Se ele está na luta, nós estamos juntos. A frase não é de nenhum soldado ou de samurai pronto para encarar o mais tortuoso desafio, mas da co-pastora Ana Cristina Rodrigues Valle, casada com o vereador Luiz Carlos Valle (PDT). Assim como ela, várias esposas de parlamentares gostam de participar como coadjuvantes da atividade política desenvolvida pelos maridos, garantindo assim o estreitamento dos laços conjugais.

Para Ana Cristina, Valle pode contar com seu apoio em tempo integral. Acredito que deve ser difícil para um político atuar sem o apoio da esposa. Esse posicionamento pode atrapalhar, perturbar e prejudicar as atividades parlamentares, opina. Por isso, a co-pastora faz questão de vestir a camisa quando é requisitada pelo marido.

Foi assim na primeira vez que Valle candidatou-se à vereança. No meio da campanha, ele teve que ausentar-se do Brasil para fazer um curso na Bélgica, na área de engenharia ferroviária. Ana Cristina não pensou duas vezes: assumiu a campanha e foi sozinha para os bairros e palanques pedir apoio para o marido. A garra surtiu efeitos e o companheiro conquistou seu primeiro mandato.

Depois disso, a co-pastora, que era neutra politicamente, passou a se interessar por política e não se exime de opinar sobre a atuação do marido. Não o influencio fortemente, mas ele me ouve sempre quando discordo de alguma posição que tomou, conta Ana Cristina, que considera a política importante, desde que seja feita de forma honesta e limpa.

A dona de casa Suely Aparecida São Pedro Martins não deixa de acompanhar os noticiários políticos desde que o marido, Leandro Martins (PPB), ingressou na vereança. Extrovertida e determinada, ela faz o contraponto nas vidas conjugal e política ao marido, considerado nos bastidores políticos tímido e avesso ao microfone.

Casada há 35 anos com Leandro, cujo relacionamento resultou em três filhas e uma neta, Suely gosta de conversar com o marido sobre política. Às vezes, falo bastante até demais sobre assuntos da Câmara Municipal. Não sei se ele acata minhas idéias, mas ele me ouve, afirma.

Conselheira, a dona de casa garante que não foi ela quem determinou que Leandro votasse em Walter Costa (PPS) para a eleição da Presidência do Legislativo, como se atribuiu no dia da votação. Isso é fofoca. Meu marido tem idéias próprias e segue o que considera melhor. Sabíamos que ele iria votar no Walter dez dias antes da eleição, ele já tinha definido, mesmo com tanta pressão que sofreu, conta.

Suely lembra com irritação da eleição da Presidência, no último dia 1. Por causa de tantos telefonemas e visitas, naquele dia Leandro não conseguiu participar do almoço familiar que comemorava a chegada do Ano Novo. Não gostei do que vi e presenciei. Para mim, lugar de reunião política é na Câmara Municipal, não na minha casa. Além disso, detesto pressão, é algo muito chato, diz, taxativa.

A dona de casa também não gosta de mentiras, principalmente as que alardeavam pontos negativos de Leandro durante a campanha eleitoral. Em seu segundo ano como cabo eleitoral do marido, Suely garante que soube superar os obstáculos. Já aprendi os macetes e não tenho medo de largar brasa, afirma.

Empenho semelhante teve a médica ginecologista Marli Faria durante a campanha eleitoral do marido, o pedetista Faria Neto, no ano passado. Tamanho empenho não deixa dúvidas ao hoje vereador: Devo minha vitória a ela, garante. Modesta, a esposa diz que há exagero na avaliação do companheiro. Ele está sendo gentil, retribui.

Quem acompanhou a vida no casal Faria de julho a outubro de 2000 sabe que o vereador não está mentindo. Marli fez campanha para o marido no consultório, com pacientes do posto de saúde onde trabalha, organizou reuniões de apoio nos bairros e, além disso, gravou participações no programa eleitoral na televisão. A médica garante que fez tudo isso por amor.

A política faz parte da vida do Faria. Por isso, fiz questão de entrar de corpo e alma na campanha eleitoral. Além disso, já o conheci como homem público, não poderia negar-lhe ajuda, justifica Marli.

Casada há 15 anos com Faria Neto, Marli o conheceu na época em que ele era prefeito de Avaí ela era médica do posto de saúde da cidade . Juntos desde então, são cúmplices na vida conjugal e nas atividades políticas, tanto que o pedetista sempre a consulta sobre projetos de lei. Ele é muito aberto e gosta de ouvir minha opinião, que é sempre embasada em comentários que ouço das minhas pacientes, gente de diversas classes sociais e idades, explica.

Para Marli, o marido deverá consultá-la bastante durante o mandato, que prevê ser difícil, em razão dos vereadores estarem visados pelo povo e em função do prefeito estar reassumindo o mandato, que não foi muito bom, na sua opinião. A primeira sessão deste ano, diz, indica a turbulência que o novo Legislativo enfrentará.

Com ou sem problemas, estarei ao lado dele, dando o apoio que ele precisa. Para mim, o apoio da esposa começa em garantir uma estrutura familiar harmônica e isso faço de questão de organizar, diz. E uma nova campanha eleitoral? Ele também pode contar comigo. Muitas pessoas não acreditam, mas eu e o Faria sempre saímos da campanha mais leves, unidos e estruturados. Nossa vida particular melhora muito, assume Marli, a esposa-codjuvante que todo político certamente gostaria de ter.

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