Se do lado do controle da inflação a equipe econômica pode ter uma avaliação positiva, o mesmo não ocorre nas questões sociais.
Vem sempre a alegação de que não se faz omelete sem quebrar os ovos, mas essa justificativa já não é mais aceita.
Não obstante termos conseguido controlar a inflação e termos observado crises externas e internas, a distribuição da renda no país continua sofrível.
A inflação, que era a grande desculpa para que houvesse concentração da renda, não pode ser mais utilizada para justificar a ausência de avanços nesse setor.
A política tributária no país é equivocada, tributando mais quem ganha pouco e abrindo brechas legais para se tributar, proporcionalmente menos, quem ganha mais.
Em 2000 ainda ficamos distantes de atingir essa meta econômica, e, o que é pior, apertando ainda mais a renda da classe média, com aumentos de impostos, não corrigindo a tabela progressiva do imposto de renda e ainda não implementando uma política clara de recomposição salarial.
Ainda vivemos em 2000 a tônica de manter o emprego para depois pleitear recomposições.
O setor público também padeceu, exceto poucas setores e os demais estão sem reajustes salariais há 5 anos.
Perspectivas: No setor público não há indicativos de melhoria do nível salarial em 2.001. Até mesmo o setor privado não será capaz de possibilitar a recuperação do nível de renda dos trabalhadores.
Não há uma política governamental nesse sentido. O alívio poderá vir com a implantação da renda mínima, contornando parte do caos social.
A informalidade ainda será o alívio da pressão mais forte da sociedade por melhorias nas questões sociais.
Resumindo: Em 2000 não houve avanços sociais, ficando a preocupação primeira com o controle da inflação.
Não há perspectivas de melhora para 2001 a não ser a possibilidade da ampliação marginal do emprego e manutenção dos empregos atuais.
(*) Reinaldo Cafeo é economista e delegado do Conselho Regional de Economiawww.economiaonline.com.brcafeo@economiaonline.com.br