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Controle de orçamento é fundamental

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 7 min

Gastos com pagamento de IPVA, IPTU, matrícula dos filhos na escola, compra de material escolar... O início do ano é marcado por despesas para muitas pessoas e famílias. Para quem não tem muito controle sobre as finanças, esses motivos são suficientes para desfalcar o orçamento. Por outro lado, quem já se prepara anteriormente para enfrentar o inevitável, consegue se sair bem.

De acordo com o economista Reinaldo César Cafeo, controlar o orçamento familiar é fundamental nessa época. Para quem dispõe de recursos que possibilitem efetuar pagamentos à vista, essa opção pode ser a melhor em alguns casos, como o do IPVA. Para ele, o desconto de 3,5% que está sendo oferecido para quitar esse imposto em uma única parcela é interessante. Para quem pode, vale a pena pagar o IPVA à vista para usufruir do desconto de 3,5%, porque a taxa de juros desse imposto é de 3,6%. Nenhuma aplicação, exceto a Bolsa de Valores, terá rendimentos nesse patamar, observa o economista.

O mesmo é válido para a compra de materiais escolares para os filhos, por exemplo. Quem tem condições de pagar à vista, consegue pleitear um bom desconto nas papelarias. Segundo Cafeo, descontos superiores a 3% são bem-vindos. Para a quitação do IPTU, o desconto de 10% que a Prefeitura está oferecendo para quem pagar à vista também é um bom negócio, segundo Cafeo.

Para quem não dispõe de recursos suficientes para quitar suas contas de uma só vez, o economista faz um alerta: não estourar o cheque especial. Apesar de haver variações entre os bancos, a média da taxa de juros cobrada para o cheque especial gira em torno de 8,5%. É uma taxa muito alta que pode trazer problemas futuros para quem contrair uma dívida como essa, ressalta.

O mesmo cuidado deve ser tomado por quem optar pela utilização do cartão de crédito para fazer os pagamentos. Fazer financiamento com cartão é proibido pelo economista. Nesses casos, o cartão de crédito deve ser utilizado somente nos dias que ficam, teoricamente, de graça, entre o dia da compra e o vencimento da fatura. Jamais se deve fazer financiamentos através do cartão, porque a taxa de juros está na faixa de 10,5%, observa Cafeo.

IPVA parcelado

Para quitar o pagamento do IPVA, imposto obrigatório para proprietários de veículos automotores, Reinaldo Cafeo diz que a melhor alternativa é o tradicional parcelamento em três vezes. Parcelar é a melhor opção para não ter que dispor da quantia referente ao IPVA de uma só vez. Alguns bancos, como o Banespa, estão financiando esse pagamento oferecendo um prazo mais dilatado. Há uma taxa de juros na faixa de 2,5% ao mês, independente do contribuinte ser ou não correntista do banco. Essa opção se torna interessante porque dilui o impacto do valor por um período um pouco maior que três vezes, o que proporciona um certo refresco no fluxo de caixa do cidadão, orienta Cafeo.

Para a quitação do IPTU, a orientação do economista também é o parcelamento em dez vezes, com exceção daquelas pessoas que podem pagar à vista, que são a minoria.

Para a compra do material escolar, a dica é consultar, junto à escola, qual é o volume mínimo que o aluno pode adquirir para iniciar o ano letivo. O restante, poderá ser comprado depois, quando a quantidade de compromissos financeiros da família tiver diminuído um pouco.

Se houver, realmente, a necessidade de adquirir todo o material já para o início das aulas, e o parcelamento em três vezes geralmente oferecido pela papelarias for considerado pequeno, a saída seria recorrer a uma instituição financeira e solicitar um Crédito Direto ao Consumidor (CDC). O dinheiro do CDC é depositado na conta corrente da pessoa e pode ser utilizado para qualquer finalidade, inclusive para a compra do material escolar dos filhos. Esse tipo de modalidade pode ser paga em até 12 vezes e a taxa de juros no mercado oscila de 3% a 6%, diz Cafeo.

No caso da matrícula escolar, o economista orienta para que os pais - principalmente aqueles que têm mais de um filho estudando em escola particular - tentem fazer um acordo para não precisar arcar com todo o débito à vista. Nesses casos, o indicado é expor à mantenedora da escola os motivos da dificuldade de efetuar o pagamento de uma só vez e tentar negociar com a entrega de três a quatro cheques pré-datados. Eu não conheço nenhum caso assim em que tenham sido cobrados juros. Mas, mesmo que, eventualmente, a escola cobre um pequeno patamar de juros, é válido. Juros na faixa de 3% podem ser aceitos, orienta Cafeo.

Controlar gastos

Além de todas essas alternativas, o economista Reinaldo Cafeo ressalta que é muito importante controlar, ao máximo, todos os gastos durante os meses de janeiro e fevereiro, pelo menos. As compras supérfluas devem ser evitadas, bem como o estoque de material de limpeza e de produtos não perecíveis. Tudo o que puder ser adiado, deve ser deixado para depois, de tal forma a apertar um pouco o cinto dentro de casa para abrir espaço para um gasto mais substancial e inevitável, destaca. Equilibrar o orçamento familiar é fundamental nesse momento.

Quem possui alguma reserva financeira ou poupança, vale a pena, segundo o economista, resgatá-la para tentar saldar todos esses compromissos, já que a poupança vem rendendo somente cerca de 0,6% ao mês.

Para quem precisa e não tem outra forma de levantar dinheiro, o penhor de jóias pode ser uma boa opção, na opinião de Cafeo. A taxa de juros no penhor é um pouco menor do que o mercado. Nesse caso, o ideal seria a pessoa fazer um esforço para pegar o dinheiro e já ter uma previsão de entrada para resgatar o bem penhorado, observa. A boa notícia é que as perspectivas para 2001 são positivas, segundo Cafeo. Por isso, sabendo fazer a coisa certa, será possível recuperar os gastos do primeiro semestre do ano.

Parcelamento e controle dos gastos são uma necessidade

Com uma filha cursando Universidade e outra no colegial, Margareth Sonderman tem controlado ao máximo os gastos da família para não deixar nenhuma dívida para trás. A primeira providência que está sendo tomada por ela é fazer um levantamento da quantia total da qual poderá dispor para o pagamento de todos os seus compromissos. Quanto ao IPTU, já está decidido: parcelamento.

Depois que eu souber exatamente quanto eu vou ter de dinheiro para dedicar ao pagamento dessas contas, verei quais são as prioridades e começar a quitação por elas. O estudo vem em primeiro lugar. Por isso, já estou analisando qual a melhor forma de pagar a matrícula e comprar o material escolar para as minhas filhas. O IPVA, estou pensando em pagar junto com o licenciamento, em lugar de pagar agora dividido em três vezes. É que quando chegar a época do licenciamento, não vou ter tantas coisas a pagar como agora. Estou avaliando, diz Margareth.

Somente com a compra do material escolar para as filhas, ela irá gastar cerca de R$ 300,00. A matrícula da faculdade passa dos R$ 400,00.

Marcos Lenharo diz que está fazendo um grande sacrifício para manter sua filha estudando em escola particular. O gasto inicial foi grande, juntando os valores da matrícula e de parte do material escolar que precisou ser adquirido de imediato. A matrícula eu já paguei em dezembro e, agora, tive que comprar o material. O fato de não ter juntado essas duas contas para quitar de uma vez me ajudou bastante, porque utilizei parte do meu 13.º salário para pagar a matrícula, conta. O IPVA, pagará parcelado.

Para Lenharo, a melhor forma de evitar situações extremas quando se fala em gastos coletivos, como esses, é controlar as despesas de final de ano e cortar tudo o que não for necessário durante esse período de pagamento de contas.

Ângela Marta Gabriel Moreno já quitou os gastos com matrícula na escola da filha mais nova em novembro. Agora, teve que pagar a matrícula das duas filhas que cursam universidades particulares. No próximo mês, será a vez da compra de livros. O IPVA será pago parcelado.

Ângela conta que a primeira atitude que ela e o marido tomaram foi não deixar acumular dívidas para dezembro e janeiro. Meu marido é autônomo, ou seja, não tem 13.º salário. Então, desde dezembro, estamos controlando todos os gastos para não acumular dívidas. Acho que o ideal é se preparar anteriormente para esses gastos, porque todo mundo sabe que são inevitáveis, diz. Somente com a matrícula de duas filhas, já são consumidos cerca de R$ 1 mil do orçamento da família.

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