A prefeita de Reginópolis, Carolina Veríssimo (PMDB), sabia que enfrentaria alguns problemas nos primeiros meses de sua administração, assim como a maioria dos prefeitos recém-empossados. Mas o corte no uso de telefone, imposto pela Telefônica - empresa responsável pelo serviço -, surpreendeu a nova equipe. De acordo com o vice-prefeito Alceu Trizzi (PL), a dívida da Prefeitura com ligações telefônicas estava em torno de R$ 3 mil. A falta de pagamento resultou no corte do fornecimento do serviço, que começou na última terça-feira e foi restabelecido anteontem de manhã, após o pagamento da dívida.
Segundo Trizzi, o item restos a pagar, deixado pela administração anterior, supera a casa dos R$ 500 mil e fica dentro da previsão inicial feita pela equipe que assumiu. Na condição de tesoureiro da Prefeitura, durante o governo municipal anterior, Trizzi já havia adiantado ao Jornal da Cidade, no fim de outubro, que a dívida do município deveria chegar ao fim do ano girando em torno de R$ 500 mil.
A maior parte da dívida, segundo Trizzi, é com fornecedores. Ele afirmou que será analisado cada caso separadamente, antes de efetuar o pagamento. O atraso no repasse ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) está acumulado em R$ 178 mil, e o Fundo de Garantia dos funcionários, que ainda não foi depositado, deve consumir outros R$ 62 mil dos cofres municipais, de acordo com relatório apresentado por Trizzi. Além do corte feito pela Telefônica, a Prefeitura foi ameaçada ainda de ficar sem energia elétrica. A Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) deu prazo de dez dias para o município saldar sua dívida de R$ 17 mil com a empresa.
Segundo o vice-prefeito, as dívidas não param por aí. Ele garantiu à reportagem que os funcionários inativos (aposentados) ainda não receberam os salários de novembro e dezembro e o 13º, que era para ter sido pago até o dia 20 de dezembro. Os R$ 13 mil deixados em caixa pelo ex-prefeito não seriam suficientes para cobrir a despesa com esses salários.
Outro ponto polêmico que deverá merecer atenção especial da atual administração é o concurso público realizado em 1999 para preenchimento de vagas na área da Educação e da Saúde. Segundo Trizzi, há fortes indícios de manipulação dos resultados, os quais teriam beneficiados parentes de vereadores e de ex-funcionários da Prefeitura. Das 15 vagas em disputa, ele informou que 11 foram ocupadas por tais parentes.
Na época em que os resultados foram divulgados, o vice-prefeito conta que foi elaborado um abaixo-assinado propondo o cancelamento do concurso, e que teria recebido a adesão de 981 pessoas, segundo ele, inconformadas com os resultados. Como a iniciativa não surtiu o efeito esperado, Trizzi espera retomar o assunto e mobilizar os vereadores para tentar achar uma maneira, juridicamente legal, de cancelar o concurso.