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Bruna: dor e mistério em Birigui

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 5 min

Sumiço da menina intriga até mesmo quem não a conheceu. Família era de Bauru e foi para Birigui em busca de trabalho

Birigui - Os pais da menina Bruna Cristina da Silva Moço, 7 anos, tiveram um dos piores Natais de suas vidas. Foi a primeira vez que eles passaram a data sem a criança. A menina desapareceu no dia 19 de setembro do ano passado, na cidade de Birigui e, desde então, a família vive em busca de notícias. Vivemos em função dela, disse a mãe, Leandra Leite da Silva, 26 anos.

Ela e o marido, José Carlos Moço Filho, 27 anos, são de Bauru e estão morando em Birigui há nove meses. Foram para lá em busca de trabalho e acabaram perdendo a filha. Está sendo muito difícil para nós. Ela é nossa primeira filha e sentimos muito a falta dela, disse.

Ninguém sabe dizer o que aconteceu. Bruna saiu de casa na tarde do dia 19 de setembro, uma terça-feira, para ir ao mercadinho - distante duas quadras de sua residência - a fim de comprar uma dúzia de ovos para a mãe. Nunca mais foi vista. Ela estava com R$ 1,30 na mão, vestia o uniforme da escola infantil na qual estudava e estava descalça. Antes eu não tivesse dinheiro para ter dado a ela. Assim ela não teria saído de casa naquela tarde, lamenta o pai.

No caminho, a menina foi vista pelo aposentado José de Carvalho, que mora na rua paralela à dos pais dela. Me lembro direitinho dela. Ela sempre passava por aqui para ir ao mercado. Ainda cheguei a brincar com ela, perguntando onde ela ia. Ela me disse que estava indo comprar ovos para sua mãe, afirmou o vizinho.

Ele disse que viu Bruna tomar o rumo do estabelecimento comercial, mas não prestou atenção se ela chegou até lá.

O dono do mercado, Osmair Ferazin, afirmou que a menina não esteve lá naquela tarde. Ela vinha sempre aqui buscar mercadorias para a mãe dela. Mas, naquele dia, não apareceu, lembrou.

Muitas idéias já percorreram o imaginário dos pais da criança. Mas, de uma coisa os dois afirmam ter certeza: para eles, Bruna está viva e morando nas proximidades de Birigui. Eu acho que alguém levou minha filha embora porque ela é muito bonita e inteligente, disse Leandra.

O pai destacou que a menina conhecia muita gente pelo bairro. Eu andava na rua com ela e ficava espantado com o desembaraço dela. Minha filha faz amizade muito fácil, disse. Com isso, alguém que a gente não conhece, mas que ela conhecia, pode ter a levado embora, suspeita.

Outra hipótese levantada por Moço Filho é de que Bruna tenha perdido o dinheiro para a compra dos ovos e, com medo de levar bronca ao voltar para casa, tenha pedido ajuda para alguém para fugir. Ela tem uma imaginação muito fértil e pode ter inventado uma história para alguém, que acabou levando-a embora.

Essas suspeitas são baseadas, segundo os pais da menina, em telefonemas anônimos que eles receberam desde que divulgaram o desaparecimento da criança. Muita gente nos ligou passando trote. Chegaram a dizer que menina estava bem e que nós não devíamos ficar preocupados com o paradeiro dela, disse. No entanto, como o telefone não possui identificador de chamada, não foi possível checar de onde partiram as ligações. Nós já pedimos para a polícia nos arrumar um aparelho de identificar chamadas. Mas, até hoje, nada. Ficaria muito mais fácil para descobrir de onde estão ligando, disse Moço Filho.

Sem suspeitos

O caso está sendo investigado pelo delegado José Luiz de Lima, do 2.º Distrito Policial (DP) de Birigui. Como ele está em férias, a reportagem pediu para funcionários do DP entrarem em contato com ele pelo telefone, a fim de que ele concedesse uma entrevista sobre o inquérito. Ele pediu para avisar que não vai falar com a imprensa sobre o caso.

O pai de Bruna critica a ação da polícia da cidade. A polícia é muito devagar. A gente a procura, fala dos telefonemas, dá dicas do que as pessoas nos falam, mas parece que ninguém vai atrás de nada, disse. Os funcionários da delegacia rebatem a crítica, dizendo que eles estão fazendo o possível para solucionar o caso.

Diante de algumas especulações, a família levantou suspeitas sobre um conhecido. Essa pessoa - que não teve o nome divulgado por não haver provas concretas contra ela - poderia ter raptado a menina. Os pais levaram a denúncia à polícia, que teria conversado informalmente com o suspeito e descartou a hipótese dele estar envolvido no desaparecimento da garota. Moço Filho criticou o comportamento da polícia, dizendo que a denúncia deveria ter sido apurada de forma mais aprofundada.

A proprietária da casa na qual a família mora, Aparecida Francisca Lavos, disse que a menina é muito alegre e que tinha uma relação harmoniosa com os pais. Ela sempre ia na igreja comigo e dizia que o sonho dela era levar os pais junto no culto, destacou.

A dona de casa acredita que alguém possa ter levado a menina embora para cuidar dela. Essa pessoa que fez isso conhecia a menina muito bem. Ninguém ia raptá-la à luz do dia sem deixar pistas. Ela teria gritado se isso tivesse acontecido, salientou.

No início, a família chegou a pensar que Bruna tivesse vindo para a casa da avó materna, Marilene Moço, que mora em Bauru. A polícia da cidade fez uma diligência pela cidade, principalmente no bairro no qual os pais de Moço Filho moram (Otávio Rasi) e até na residência dos avós, mas não encontraram nenhuma pista.

Há mais de 30 anos a delegacia de Birigui não registra nenhum caso semelhante e não há suspeita de que uma quadrilha esteja agindo no local.

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