O Instituto Ambiental Vidágua está ampliando a sua participação na defesa da natureza. A Organização Não-Governamental (ONG) acabou de receber uma área de 90 hectares da Prefeitura Municipal de Ilha Comprida (Litoral sul do Estado), na qual deverá instalar um Centro de Estudos e Referência em Educação Ambiental.
De acordo com o secretário executivo do Instituto, Ivan Alexandre Ferrazoli de Marche, a importância dessa doação não está somente no espaço conquistado pela entidade, mas também na localização. Trata-se de uma área muito rica, tanto historicamente, como ecologicamente. Podemos desenvolver um trabalho de relevância nacional por lá, disse.
O diretor de Base Iguape do Instituto, Clodoaldo Armando Gazzetta, explicou que a área compreende o 4.º maior berçário de espécies marinhas do mundo.
A doação ainda deverá ser regulamentada pela Câmara Municipal de Ilha Comprida. No entanto, os representantes da ONG estão confiantes na aprovação do projeto. O prefeito que nos doou a área foi reeleito com 80% dos votos e tem muita credibilidade na cidade. Com certeza, a doação vai ser regulamentada, disse Gazzetta.
Para obter a área, o Vidágua fez diversos contatos com políticos do Litoral Sul, principalmente daquela região. Nós já tínhamos a idéia de ampliar nosso trabalho para além de Bauru. Essa área vai possibilitar um alcance nacional, lembrou Marche.
O objetivo do Centro de Estudos será desenvolver pesquisas e atividades na área ambiental, baseado no ecossistema da região. A ONG também deverá disseminar entre a população local práticas ecologicamente corretas, como a coleta seletiva de lixo, a redução de gastos de energia e água, redução na produção de lixo, reutilização de materiais, entre outras coisas.
O público-alvo do projeto são os estudantes de ensino fundamental, médio e superior, além de professores da rede oficial ou particular.
De acordo com Marche, as atividades programadas para o Centro incluem capacitação de professores na prática da educação ambiental, reconhecimento do ecossistema através de saídas a campo, trilhas ecológicas e aulas especiais para ilustrar os conhecimentos adquiridos durante a visita. A estrutura prevê a instalação de um laboratório para o desenvolvimento de pesquisas de alunos universitários de graduação e pós-graduação, contribuindo para o fomento de pesquisas na área ambiental.
Também deverá ser construído um viveiro de plantas nativas para uso nos estudos.
A estrutura física compreenderá salas de aula, laboratório, auditório para 100 pessoas, refeitório para aproximadamente 60 pessoas, oficina de artes e dormitórios.
Este projeto foi desenvolvido pelo próprio Vidágua, segundo explicou Gazzetta. Nós vamos usar recursos alternativos ecológicos, como energia eólica, solar, tanques de compostagem, além de materiais ecologicamente corretos na construção, disse.
Para concretizar o projeto, o Vidágua depende de parcerias com a iniciativa privada. Não temos condições de erguer tudo isso sozinhos. Estamos buscando apoio entre os empresários, salientou Marche.
A idéia é realizar uma troca entre a entidade e a empresa, fornecendo à iniciativa privada espaço e material para a capacitação de funcionários ou de pessoas ligadas a ela.
Para o secretário executivo do Vidágua, a doação da área significou para a entidade o reconhecimento estadual e até mesmo nacional no que diz respeito ao trabalho desenvolvido pela entidade.
A ONG foi criada em 1994 com o objetivo de incentivar o pensamento ecológico em Bauru e desenvolver ações para a melhoria da qualidade de vida da população, através da preservação do meio ambiente.