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Saída de dirigente abre crise no PSDB

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Lideranças tucanas criticam falta de diálogo com direção estadual; revolta é externada em fax para o governador

A exoneração de Edinéa Sita Cucci do cargo de dirigente regional de ensino, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo, no último sábado, sem comunicação prévia, acirrou ainda mais os ânimos dos tucanos bauruenses em relação à direção estadual do partido. Contrariados, eles enviaram um fax de protesto, ontem, ao governador Mário Covas.

No documento, que teve cópias remetidas ao vice-governador Geraldo Alckmin, a membros da Casa Civil e a Edsom Ortega Marques, secretário de Estado da Assistência e Desenvolvimento Social, os tucanos reclamam que, embora exonerações sejam expedientes comuns no governo, não pode ser considerado corriqueiro a falta de comunicação entre a Secretaria do Estado da Educação e o diretório do PSDB de Bauru. Não quero precipitar julgamentos, mas foi um fato desagradável, diz Élio Busch, coordenador regional do PSDB.

Para Rubens Spíndola, presidente do diretório municipal do PSDB, que também assina o documento, o partido cometeu um equívoco político e administrativo ao exonerar Edinéa Sita Cucci. Ela faz parte do diretório do PSDB e estava agindo corretamente, além disso, ninguém da região foi consultado. Fomos pegos de surpresa e ficamos sentidos. Esse procedimento não foi coerente com aqueles que querem fazer o melhor em benefício da cidade, opina.

Apesar do cargo ser de confiança do secretário do Estado da Educação, a liderança tucana avalia que a substituição de Edinéa não se justifica. Do jeito que a dirigente recebeu a Diretoria de Ensino e do modo como se encontra hoje perante à comunidade e ao sindicato da categoria - ela é uma pessoa respeitadíssima -, politicamente, essa substituição foi um equívoco. Não há como avaliar de outra maneira. O novo dirigente também é tucano, profissional ímpar, mas não podemos deixar de protestar contra os procedimentos adotados, critica Spíndola.

Edinéa Sita Cucci permaneceu à frente da Diretoria de Ensino por cinco anos. O cargo, a partir de ontem, passou a ser ocupado por Jair Sanches Vieira, ex-dirigente regional de ensino de Lençóis Paulista e membro do PSDB. A Diretoria Regional de Ensino de Bauru tem sob sua coordenação 69 escolas, distribuídas por 13 municípios e responsáveis pela educação de 73 mil alunos, dos ensinos fundamental e médio.

Comunicação

A ausência de comunicação entre o PSDB de Bauru e a Secretaria do Estado da Educação é mais um novo capítulo da crise entre o diretório tucano municipal e a direção estadual do partido. O problema começou a ser registrado durante a campanha eleitoral de 2000, quando a legenda foi pressionada a apoiar Pedro Tobias (PDT) à Prefeitura.

A derrota do pedetista nas urnas e a ausência de entrosamento entre o PSDB, PDT e PTB, partido que compunha a aliança para a eleição majoritária, culminaram no enfraquecimento da imagem dos tucanos perante à população e ao meio político. Para completar, a direção estadual da legenda, na figura de Edson Aparecido, deixou de atender os telefonemas feitos por Rubens Spíndola após as eleições.

Desde então, não conseguimos falar com o Edson Aparecido e é por conta disso que equívocos como o da substituição da dirigente de ensino estão acontecendo. Isso só vai deixar de ocorrer quando passarmos a falar a mesma língua. Vamos continuar a ser filial do PDT? Fomos partido de aluguel no PDT na eleição e não queremos mais isso para o partido, afirma o presidente tucano.

Na avaliação de Spíndola, a direção estadual tem ouvido mais o deputado estadual Pedro Tobias - e pedetistas infiltrados no partido - do que o diretório bauruense do partido. Na sua opinião, se as lideranças estaduais tivessem apoiado o lançamento de uma candidatura tucana à Prefeitura de Bauru, o desgaste do PSDB local poderia ter sido menor, assim como da região. O que está nos abalando, e eles precisam entender, não é o fato de termos perdido algumas lideranças nos últimos anos, mas a falta de união. Precisamos falar a mesma língua, defende Spíndola.

Élio Busch, coordenador regional do PSDB, minimiza os fatos e não vê relação entre o pós-eleição e a exoneração da dirigente de ensino. A questão do Edson Aparecido é política e a da Edinéa, administrativa e técnico-pedagógica. O PSDB de Bauru e região continua prestigiado pela direção estadual. Não fomos os únicos a sofrer percalços. Há regiões que não elegeram nenhum prefeito, comenta.

Pelo sim, pelo não, Elcio Antonio Selme, coordenador de Educação do Interior, veio a Bauru, ontem, participar da posse de Jair Sanches Vieira como dirigente regional de ensino. Antes, almoçou com lideranças tucanas municipais e regionais, tentando eliminar qualquer mágoa que pudesse existir entre os bauruenses e a Secretaria do Estado da Educação.

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