Geral

Uma esmolinha, pelo amor de Deus!

(*) N. Serra
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A cidade sempre teve muitos esmolares nos pontos urbanos de maior fluxo popular, entre eles a avenida Rodrigues Alves e as ruas Batista de Carvalho, 1º de Agosto e algumas de suas travessas. Jamais, porém, como ultimamente, ela apresentou tantos com as mãos estendidas à caridade pública, não só nesses logradouros centrais, de circulação intensa, como em muitas das áreas residenciais. São pedintes de ambos os sexos, principalmente o feminino, e de diversificadas faixas etárias, até porque, forçoso é convir-se, a fome e a necessidade de bens diversos não selecionam sexo, idade ou cor para acontecer. Em dias que antecederam as celebrações natalinas e do novo milênio o problema mais se evidenciou no centro e fora dele, formando correntes vedadeiramente inusitadas, pois os acontecimentos favoreciam.

É possível que muitos desses carentes, que ainda se encontram por aí, não sejam mesmo de Bauru, sabido que é que tradicionalmente não poucos necessitados da circunvizinhança costumam deslocar-se para as nossas fronteiras, à busca de alguma ajuda, generosa ou não. Afinal, somos a maior e menos pobre cidade da região, e, conseqüentemente, com mais recursos que as outras. Contudo, mesmo que sejam muitos os estrangeiros não seria plausível enxotá-los dos nossos limites, desde que perceptíveis as suas condições de pobreza. Escorraçar, como cão vadio, gente que bate humildemente à nossa porta seria no mínimo desumano e anticristão. Nem se poderia recorrer, também, à filosofia de que cada cidade deve cuidar de seus pobres e, de forma alguma, botar nos portais da vizinhança... Por isso, salta aos olhos que o Poder Público bauruense precisa organizar serviços específicos, estruturando-se para acudir à pobreza, local e até regional, que vive por aí à frente de estabelecimentos e de pedestres em geral que, benemeritamente, têm os corações abertos para os necessitados.

Em muitos centros evoluídos, onde a mendicância poderia gravitar profusamente sem ser molestada, não se nota tocando campainhas de domicílios tão grande número de esmolares porque a ação desenvolvida pelas instituições particulares é, quando preciso, complementada por serviços oficiais de assistência imediata aos carentes que se apresentem nas vias públicas, das quais são prontamente retirados e assistidos. Então, já seria tempo de Bauru ter também órgão público de tal natureza para tirar da calçada fria da penúria essas mulheres e crianças que diariamente circulam nos seus logradouros, recorrendo à sensibilidade dos corações generosos. É a nossa opinião.

(*)N. Serra, jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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