Pela proposta do coordenador regional do partido, só poderiam voltar aqueles que se desligaram do PSDB voluntariamente
O PSDB de Bauru decidiu ontem, por meio de uma tumultuada votação de seu diretório, que estará aberto à readmissão de ex-correligionários. A ressalva é de que os readmitidos tenham sido desligados voluntariamente do partido ou saído por pequenos desentendimentos internos no contexto da época de seu afastamento, além de não ter se envolvido, nesse meio-tempo, em questões morais que firam a ética do partido.
A proposta foi apresentada pelo coordenador regional do partido, Élio Busch, e foi aceita por 20 votos contra dois. O presidente do diretório municipal, Rubens Spíndola, que foi um dos que votaram contra, disse que recorrerá ao departamento jurídico da direção estadual do PSDB por achar que a decisão vai contra o estatuto da legenda.
Um dos pontos de divergência entre Spíndola e Busch é quanto à impugnação de filiados, que pode ser requeridas por qualquer membro do partido, desde que devidamente justificada. Enquanto Busch defende que os membros do partido sejam consultados antes de um possível convite - isso evitaria constrangimentos ao partido -, Spíndola vai pelo que determina as regras do estatuto, ou seja, a aprovação da filiação pelo diretório após análise da ficha do interessado.
Segundo Spíndola, que é da ala do partido que defende a adesão de novos filiados - e não de antigos -, a decisão pode deixar o partido vulnerável a políticos que prejudicaram o PSDB, como Pedro Tobias, Roberto Bueno, Tuga Angerami e o ex-prefeito Izzo Filho.
Tumulto
Antes da votação se consumar, Spíndola propôs adiar a decisão para fevereiro, convocando todos os membros do diretório, mas a maioria dos presentes à reunião foi contra. O presidente municipal do PSDB chegou a bater o martelo em sua decisão, o que gerou um certo tumulto na sede do partido.
Élio Busch chegou a chamá-lo de dono do partido e ditador e saiu da sala, no que foi seguido por alguns correligionários mais exaltados. Entre o ligeiro contratempo e a votação, a ex-dirigente regional de ensino de Bauru, Edinéa Sita Cucci fez um pronunciamento sobre sua exoneração do cargo, o que acalmou momentaneamente os ânimos e fez melhorar o clima da reunião.
Em sua fala, Edinéa agradeceu o apoio que sempre teve do partido local e admitiu que pediu a exoneração do cargo por julgar que a Secretaria de Estado estava agindo contra ela por questões pessoais.
Estou disposta a trabalhar pela educação e coloco minha experiência de 30 anos de magistério para isso, mas não sirvo para fazer intercâmbio político, declarou.