Os imóveis que ficam muito tempo desocupados podem abrigar produtos furtados e viciados. Terrenos baldios e pouca iluminação facilitam a prática de crimes
As casas abandonadas são os maiores problemas para a Polícia Militar (PM). Esses imóveis podem ser utilizados para abrigar objetos furtados e usuários de drogas, o que facilita a ação de marginais. Por isso, a PM está preocupada com a situação e fez parceria com a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), que conseguiu mapear casas abandonadas e terrenos baldios na área Central, Altos da Cidade, Jardim América, Jardim Cruzeiro, Jardim Marambá, Jardim Redentor e Núcleo Geisel, regiões de abrangência da Base Comunitária Sudeste. Esses bairros enfrentam problemas causados por pessoas que utilizam casas abandonadas e terrenos baldios. Nós sabíamos onde eram os locais mais críticos. E a Prefeitura poderia tomar as providências. Então, resolvemos fazer o levantamento em parceria, explicou o tenente Flávio Jun Kitazume, comandante da Base Comunitária Sudeste.
Segundo ele, os prédios e casas abandonados, com pouca iluminação e terreno com mato alto fazem com que a incidência de crimes aumente. Os crimes tendem a aumentar em locais de pouca iluminação e abandonados, disse o tenente Kitazume.
Alguns locais apresentam mais problemas do que outros. Na quadra 1 da rua Manoel de Camargo, na Vila Engler, por exemplo, um barracão está sendo ocupado há vários meses por mais de 15 pessoas. O tenente Kitazume afirmou que muitos desses moradores têm passagem pela polícia e utilizam o local para guardar produtos de furto e usar drogas.
Os vizinhos desse barracão sofrem com a invasão. Muitos se sentem ameaçados. Maria (nome fictício a pedido da entrevistada) é moradora da rua Manoel de Camargo. Ela disse que evita passar na frente do local porque tem medo de ser assaltada. As pessoas que vivem nesse barracão são muito estranhas. Eu fico com mais medo ainda de ter a minha casa furtada quando eu estiver dentro. Minha casa já foi assaltada e eu acredito que foram essas pessoas, porque elas vêem a nossa rotina, sabem quando a casa está vazia, disse a moradora.
O tenente Kitazume afirmou, também, que desde a data em que o barracão foi invadido, os furtos na região aumentaram cerca de 100%. Não temos como provar que foram as pessoas que ocupam o barracão, mas temos dados que apontam que os furtos aumentaram na região depois que elas se instalaram no local, afirmou o tenente.
A invasão nesse barracão continua porque o proprietário não se manifesta. Talvez ele nem more na cidade. A própria Seplan tentou localizá-lo, mas não conseguiu.
Para o comandante da Base Comunitária Sudeste, o ideal é que o proprietário visite sempre seu o imóvel, no mínimo uma vez por mês. Tem gente que não passa há anos perto do imóvel. E esses são os alvos de invasão, completou o tenente Kitazume. As casas fechadas e que são invadidas começam a ser depredadas. No início, os invasores apenas utilizam quintais. Depois, arrancam portas e janelas. O lixo toma conta do local. O mau cheiro incomoda até quem passa na rua. A maioria só aparece no local à noite.
Enquanto na área sob responsabilidade da Base Sudeste os maiores problemas são as casas abandonadas, nos bairros periféricos, os problemas são os terrenos baldios e as construções inacabadas.
O capitão Wellington Luiz Dorian Venezian, comandante da 3.ª Cia., afirmou que o objetivo da parceria com a Seplan é deixar a cidade mais limpa e evitar crimes. Se a pessoa vê um pedaço de papel jogado no chão, ela joga outro. Mas, se estiver num local limpo, a pessoa se sente inibida e não suja. Assim acontece com o crime. Se o local é iluminado, o terreno está limpo e a casa, mesmo que esteja sem morador algum mas sempre tem alguém passando por ali, os crimes diminuem, porque ninguém quer cometer um crime e ser reconhecido, explicou o capitão Wellington.