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Octaviani diz que recorrerá à polícia

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Suspeita é sobre liberação de verbas a título de adiantamento em nomes de assessores que só em 2000 chegaram a R$ 506 mil

Agudos - O novo prefeito de Agudos, José Carlos Octaviani (PMDB) se diz surpreso e preocupado com a situação em que encontrou alguns setores da administração e que pretende, talvez ainda esta semana, recorrer à Polícia Civil para solicitar investigações. Uma das dúvidas está relacionada a uma extensa folha com nomes de funcionários da Prefeitura aos quais teria sido repassado, ao longo do ano 2000, um total aproximado de R$ 506 mil, sob a justificativa de adiantamento. Desse total, cerca de R$ 160 mil teriam saído em nome de uma única pessoa, uma espécie de assessor especial do ex-prefeito Afonso Condi (PSDB).

Obras inacabadas e segundo Octaviani, já pagas, também carecem de explicações, como seria o caso da rede de galeria no bairro Esmeralda e da escola do Sesi onde, segundo o prefeito, ainda não foram feitas uma quadra e a caixa dágua.

Além dessas questões citadas e que devem ser encaminhadas à polícia, Octaviani disse que na primeira semana de trabalho já havia sentido a necessidade de tomar algumas medidas antipáticas como mudar linhas telefônicas uma vez que, segundo ele, estaria havendo abuso nas ligações telefônicas. Para exemplificar, ele citou duas linhas uma do cemitério e uma do ginásio de esportes e que teriam sido utilizadas para ligações desnecessárias a cidades muito distantes de Agudos. Vários telefones celulares também foram recolhidos porque o prefeito entendeu que estava havendo abuso na utilização.

Cofres praticamente vazios é outra reclamação do prefeito que diz não ter encontrado recursos sequer para efetuar o pagamento do salário dos funcionários, referente ao mês de dezembro. Parte desse pagamento foi feita na semana passada e o restante dever ser efetuado nesta semana, segundo o prefeito. Faltou dinheiro também, diz Octaviani, para fazer o repasse de verba à Câmara Municipal, dinheiro esse que seria usado para o pagamento de funcionários e vereadores, além de despesas da Casa, como lembra o presidente da Câmara, Nelson Ayub (PPB).

Hoje, diz Octaviani, a Prefeitura Municipal de Agudos deve algo em torno de R$ 40 milhões considerando as dívidas antigas, incluido aí INSS e CPFL. É uma situação absurda, reclama.

Secretários por diretores

Uma das medidas que o prefeito adotou para seu governo, na tentativa de economizar recursos públicos, foi abolir o termo secretário e adotar diretores. Assim, diz ele ao invés de um salário de R$ 2,7 mil para os secretário, vamos pagar R$ 1,8 mil para diretores. Por enquanto, apenas cinco diretores foram definidos pelo prefeito. Para a Saúde foi nomeado o vice-prefeito Jaime Caputti. Para a Educação, a professora Cecília Bigarelli. A diretoria de Obras está a cargo de Benedito Carlos Machado e, Irineu Costa é o diretor de Vias Públicas e Transportes. O Departamento Jurídico será dirigido por funcionários antigos da Casa: os advogados Paulo Carvalho e Rubens Dario Sormani.

Para Condi, falta melhor análise

Consultado pela reportagem, o ex-prefeito de Agudos, Afonso Condi (PSDB), disse entender que talvez esteja faltando uma melhor análise das contas públicas, por parte da atual administração. Sobre os adiantamentos em nome de funcionários, Condi explica que esse é um procedimento normal e até uma orientação do Tribunal de Contas. As verbas, segundo ele, não se referem a dinheiro usado pelo funcionário para viagem, por exemplo e sim para pequenas despesas ou para a promoção de algum evento, como carnaval, Corpus Christi ou aniversário da cidade.

Quanto às obras da escola e da rede de galeria, Condi garante que as empresas só receberam por aquilo que construíram.

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